O enviado especial da ONU (Organização das Nações Unidas) à Síria, Lakhdar Brahimi, pediu hoje que rebeldes e o regime de Bashar Assad cheguem a um cessar-fogo e que integrantes dos dois grupos formem um governo de transição até a realização de novas eleições.

A proposta é a mesma feita durante uma reunião em Genebra, em 30 de junho, chefiada pelo então enviado da ONU, Kofi Annan. Nos últimos seis meses, no entanto, não houve acordo e o conflito se tornou mais intenso. Em 21 meses, mais de 45 mil pessoas morreram na Síria, segundo ativistas.

Brahimi defendeu o uso do mesmo plano, que foi aprovado pelos cinco membros com direito a veto no Conselho de Segurança –Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia e China. Porém, pede algumas mudanças.

Ele não detalhou que mudanças seriam essas, mas fontes diplomáticas que viajaram com Brahimi à Síria dizem que o enviado especial pediu ao ditador sírio que nomeasse os ministros que representarão o regime durante a transição.

O emissário disse que as conversas com o regime sírio continuam e espera um acordo entre o governo e os rebeldes para apresentar o plano de transição que daria fim ao conflito.

Ele, no entanto, descartou que houvesse um plano determinado pela Rússia e os Estados Unidos, como algumas fontes disseram nos últimos dias. Moscou também nega qualquer acordo com os americanos.

Nesta quinta-feira, o vice-chanceler sírio, Faisal Moqdad, chegou a Moscou para conversar com o ministro de Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov. O encontro acontece dois dias antes da visita de Brahimi à cidade, que também se reunirá com o chanceler.

Deserções

Os diálogos para tentar a paz acontecem em meio a mais uma deserção de um alto membro do regime sírio. O procurador-geral de Aleppo, Ahmed al Nuaimi, renunciou ao cargo em um vídeo que foi divulgado na internet.

Na gravação, ele disse que não concordava com a repressão feita pelo governo aos rebeldes, que chamou de massacres. Ele ainda pediu à Justiça internacional que emita uma ordem de prisão contra Assad por cometer crimes contra a humanidade.

Na noite de terça, o chefe de polícia sírio, Abdel-Aziz al Shalal, havia anunciado sua deserção em outro vídeo, usando o mesmo argumento.

Enquanto isso, continuam os confrontos no país. O grupo opositor Observatório Sírio de Direitos Humanos informa que seguem os bombardeios nas principais cidades do país, incluindo Damasco e Aleppo, onde os combates se concentram nas proximidades do aeroporto.