O Equador vai pedir US$ 210 milhões da construtora brasileira Norberto Odebrecht para cobrir problemas na usina hidrelétrica San Francisco, segundo Jorge Glass, presidente do estatal Fundo de Solidariedade equatoriano. Em uma entrevista coletiva à imprensa, Glass afirmou que esse valor vai cobrir as perdas econômicas e o dinheiro investido para consertar a usina.

“Depois de termos recebido a auditoria técnica, é fácil concluir que a República do Equador foi enganada pela Odebrecht e, como resultado, decidimos ir para os tribunais para pedir US$ 210 milhões”, disse Glass. Em nota, a Odebrecht informou não ter recebido notificação sobre a nova cobrança e repudiou “qualquer acusação e conclusões antecipadas que possam ser difundidas por representantes de entidades envolvidas no processo”.

“O contrato firmado entre o consórcio construtor e o Governo do Equador possui uma cláusula arbitral que pode ser acionada por qualquer uma das partes. As acusações do Governo se baseiam em um relatório técnico contratado por eles, cujo conteúdo é desconhecido por nós. Esse não é um relatório definitivo”, informou a Odebrecht, em nota. A construtora afirmou também que contratou uma empresa para análise técnica com vistas ao esclarecimento dos problemas na hidrelétrica, mantendo-se aberta “ao diálogo no âmbito técnico e contratual”.

A usina San Francisco foi construída pela Odebrecht e começou a operar em meados de 2007, mas foi fechada no meio do ano passado por cerca de três meses por causa de problemas na sua construção. Outra paralisação de quatro meses está programada para setembro deste ano. O presidente Rafael Correa expulsou a Odebrecht do Equador em setembro passado, por causa dos problemas na usina.

Glass afirmou que o Equador não vai suspender os pagamentos de um empréstimo concedido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para construção da usina e vai continuar fazendo os pagamentos até que seja tomada uma decisão pelo Tribunal Internacional de Arbitragem, em Paris.

Em novembro do ano passado, o governo do Equador chegou a afirmar que não iria pagar o empréstimo do BNDES, que totaliza cerca de US$ 243 milhões, mas no início deste ano o governo brasileiro confirmou que o Equador pagou as parcelas vencidas em dezembro. Com informações da Dow Jones.