O general britânico reformado Sir Mike Jackson, que comandou as forças de seu país na invasão do Iraque em 2003, diz que o caos vivido pelo Iraque hoje tem raízes na decisão dos Estados Unidos de enviar um número insuficiente de tropas. Em trechos de sua autobiografia, publicados hoje pelo Daily Telegraph, Jackson afirma que o conceito da invasão, determinado pelo então secretário da Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, era "intelectualmente falido".

"Todo o plano que havia sido preparado pelo Departamento de Estado foi para o lixo. Para Rumsfeld e seus aliados neoconservadores, era um artigo de fé ideológica que os soldados da coalizão seriam recebidos pelos iraquianos como libertadores" diz o ex-general.

Em sua autobiografia, que o Daily Telegraph começa a publicar em capítulos na segunda-feira, Jackson diz que a estratégia dos EUA para lidar com o terrorismo internacional é inadequada. Para ele Washington depende demais da força militar, em detrimento da diplomacia e de medidas pró-desenvolvimento que afastem países em risco da influência de organizações terroristas.

Nos últimos dois meses, depois da substituição de Tony Blair por Gordon Brown na chefia do governo da Grã-Bretanha, as tropas britânicas deixaram três das quatro províncias iraquianas que ocupavam; Londres pretende entregar o distrito de Basra para o Exército iraquiano até o fim deste ano.