Centenas de pessoas com tambores marcharam hoje por Madri para protestar contra a legislação que torna ainda mais restritiva a política de imigração espanhola. Usando megafones, os manifestantes gritavam palavras de ordem como “Nenhum humano é ilegal”, na passeata contra a lei que dificulta que imigrantes que moram na Espanha tragam parentes para suas casas.

De acordo com a proposta, apresentada pelo governo socialista do primeiro-ministro Jose Luis Rodriguez Zapatero, os estrangeiros que forem pegos ilegalmente no país serão mantidos em centros de custódia por 60 dias, enquanto as autoridades conduzem os processos de expulsão. O prazo atual é de 40 dias. A expectativa é de que o parlamento espanhol aprove a lei até o fim do ano, mas com emendas, já que o governo não detém a maioria na Casa.

Naziha al-Idrissi, uma marroquina de 40 anos que mora na Espanha há nove, observou que os imigrantes dispostos a trabalhar por baixos salários na área de construção e em empregos subalternos ajudaram o país a registrar um crescimento sólido durante o boom econômico da década passada. Agora, segunda ela, os imigrantes se tornaram bodes expiatórios da recessão e da taxa de 18% de desemprego. “Eles não podem dizer que precisam de nós em um dia e nos considerar um problema no dia seguinte”, queixou-se Naziha, que participou da manifestação ao lado de duas crianças pequenas, ambas nascidas na Espanha.