O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse em discurso pronunciado no fim da noite de segunda-feira (9) que buscará nos próximos meses “aberturas” que possam conduzir a um diálogo direto com o governo do Irã. Em sua primeira entrevista coletiva como presidente, Obama afirmou que sua equipe de segurança nacional está examinando áreas nas quais os EUA possam se “envolver diretamente” com o Irã. O presidente americano ressalvou, contudo, que isso não acontecerá da noite para o dia e que “muita desconfiança” terá de ser superada para que as relações entre os dois países melhorem.

Na opinião de Obama, o Irã precisa entender que os EUA consideram “inaceitável” o financiamento de grupos considerados terroristas por Washington e que, se dispuser de armas nucleares, o Irã pode deflagrar uma corrida armamentista capaz de desestabilizar o Oriente Médio. O novo presidente americano disse que os EUA estão enviando sinais de que querem “fazer as coisas de uma forma diferente” e que é hora de o Irã enviar os mesmos sinais. Sobre o Paquistão, Obama afirmou que o governo norte-americano não pode permitir que a “Al-Qaeda opere em refúgios seguros”, nas áreas tribais junto à fronteira com o Afeganistão.

Ele disse que a política norte-americana para a região está sob ampla revisão e que esta é a missão do enviado especial dos EUA, Richard Holbrooke. “Temos de melhorar o sistema de coordenação regional”, defendeu. “A missão de Holbrooke no Paquistão é dizer que eles correm tanto risco como nós”, afirmou o presidente. Obama admitiu que a situação no Afeganistão pode ser tão ou mais difícil do que no Iraque. “Tivemos uma eleição no Iraque relativamente tranquila; e o sistema político aparentemente está funcionando”, disse. “Não parece que isso esteja ocorrendo no Afeganistão, onde o governo está muito distante do que acontece nas comunidades.”

Na entrevista, Obama foi questionado se seu governo investigaria eventuais excessos no combate ao terror cometidos durante a administração de seu antecessor, George W. Bush. “Meu governo operará de forma a não deixar dúvida de que não torturamos, de que seguimos a Convenção de Genebra e perseguimos terroristas que nos causem mal”, declarou. Ele afirmou que “ninguém está acima da lei” a ponto de evitar processos judiciais, caso isso venha a acontecer, mas destacou que, em vez de examinar o passado, seu governo vai priorizar um “olhar para a frente”.