O Departamento de Estado norte-americano cancelou hoje os vistos especiais de quatro integrantes do governo interino de Honduras. “Não reconhecemos Roberto Micheletti como presidente de Honduras. Reconhecemos Manuel Zelaya e por isso decidimos revogar os vistos diplomáticos oficiais, do tipo A, de quatro membros do regime”, disse em Washington o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Ian Kelly.

Em Honduras, a vice-chanceler do governo interino, Marta Lorena Alvarado, disse que duas das quatro pessoas que tiveram os vistos revogados são o presidente do Congresso, José Alfredo Saavedra, e um juiz da Suprema Corte, Tomás Arita. “Tudo isso é parte da incompreensão da comunidade internacional a respeito do que acontece em Honduras” ela disse. “Isso tudo não é definitivo e não terá maiores consequências para o futuro do país”. O governo interino insiste que Zelaya foi afastado após tentar mudar a Constituição para permitir a reeleição de políticos aos cargos públicos.

Hoje quatro grandes empresas transnacionais – Nike, Adiadas, Gap e Knights Apparel – enviaram uma carta à secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, na qual pediram que a democracia seja restaurada em Honduras. As empresas, que fazem pedidos de produtos a fábricas subcontratadas em Honduras, se disseram “muito preocupadas com a contínua violência se essa disputa não for resolvida imediatamente”.

Apesar disso, os líderes interinos de Honduras insistiram hoje que poderão resistir às pressões internacionais para que abandonem o poder antes das eleições presidenciais, que acontecerão daqui a quatro meses, na esperança de que um novo governo decrete o fim das tentativas do presidente deposto do país, José Manuel Zelaya, de voltar ao poder.

“O contexto político será totalmente diferente quando a campanha eleitoral para a eleição presidencial começar, a obsessão com o Sr. Zelaya vai desaparecer”, afirmou o chanceler do governo interino, Carlos López. Segundo ele, “não existem dúvidas” de que uma vez eleito um novo governo em 29 de novembro deste ano, ele será reconhecido pela comunidade internacional.