O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve declarar a China como um dos países que mais apresentam problemas de tráfico de pessoas, afirmaram funcionários americanas nesta segunda-feira. Com isso, a potência asiática deve ficar na mesma categoria de nações como a Coreia do Norte, o Zimbábue e a Síria.

O rebaixamento da China nesse tema deve ser anunciado nesta terça-feira pelo Departamento do Estado, quando o secretário de Estado, Rex Tillerson, divulgar o documento anual Relatório sobre o Tráfico de Pessoas ao Congresso, segundo as fontes, que pediram anonimato por não ter autorização para comentar o assunto publicamente. Ivanka Trump, assessora sênior e filha de Trump, planeja comparecer à cerimônia.

O episódio deve marcar a primeira crítica pública ao histórico chinês em direitos humanos do governo Trump, que em geral tem evitado críticas a Pequim, enquanto busca a cooperação dos chineses para lidar com a Coreia do Norte e suas ameaças. O relatório deve ser alvo de duras críticas do governo comunista.

A China será colocada na categoria mais baixa do relatório, relativa a países que não atendem aos padrões mínimos para evitar o tráfico de pessoas nem fazem esforços significativos de melhoria. Outros países recentemente acrescentados à lista incluem Sudão, Irã e Haiti. O documento deve apontar que a China não elevou seus esforços para lidar com o problema no último ano.

O Departamento de Estado não quis comentar o tema antes da divulgação do relatório nesta terça-feira. No documento anterior, os EUA citaram o problema de pessoas forçadas a pedir dinheiro na China, particularmente crianças. O relatório também afirmava que nas áreas rurais chinesas havia maior risco de recrutamento para tráfico sexual nas cidades.

Os países na pior categoria na escala americana podem ser alvo de sanções, entre elas a retenção de ajuda humanitária e assistência que poderia afetar acordos com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial. Funcionários desses países podem ser barrados em programas de intercâmbios nas áreas de educação e cultura, porém o presidente tem a autoridade para contornar as sanções se isso for do interesse nacional ou se considerar que elas podem afetar negativamente as populações já vulneráveis. Na prática, muitas vezes países obtiveram esses benefícios em governos anteriores dos EUA. Fonte: Associated Press.