Os Estados Unidos espionaram autoridades do Japão e também companhias do país asiático, de acordo com documentos divulgados nesta sexta-feira pelo site WikiLeaks. Datados de entre 2007 e 2009, os documentos incluem o que parecem ser relatórios da Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês) dos EUA, quatro dos quais com o aviso de que eram “ultrassecretos”, com informações da inteligência norte-americana sobre as posições japonesas em relação ao comércio internacional e às mudanças climáticas.

O WikiLeaks também divulgou o que diz ser uma lista da NSA de 35 alvos japoneses de interceptação telefônica, incluindo o escritório do gabinete japonês, funcionários do Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês), números do Ministério das Finanças e do Ministério do Comércio, a divisão de gás natural da Mitsubishi e a divisão de petróleo da Mitsui.

A veracidade dos documentos não pôde ser verificada de maneira independente, ainda que o WikiLeaks já tenha revelado vários documentos do governo dos EUA anteriormente.

O Ministério das Relações Exteriores japonês afirmou que os dois países estão em contato sobre o caso, sem dar detalhes. A embaixada norte-americana em Tóquio disse que estava ciente do caso, também sem dar detalhes. A Mitsui não quis comentar e a Mitsubishi não respondeu a um telefonema.

Três dos relatórios lidavam com mudanças climáticas e outros dois eram sobre questões de comércio no setor agrícola, incluindo exportações de cereja dos EUA ao Japão.

Um dos relatórios secretos, sobre mudanças climáticas antes do encontro do G-8 em 2008, tinha uma anotação de que seria compartilhado com Austrália, Canadá, Reino Unido e Nova Zelândia, segundo o WikiLeaks. Não está claro se ele foi de fato distribuído para esses países.

O WikiLeaks divulgou documentos similares nas últimas semanas, que mostrariam a espionagem da NSA sobre a Alemanha, a França e o Brasil. A espionagem dos EUA sobre aliados veio a público em 2013, quando o WikiLeaks vazou documentos de Edward Snowden, ex-funcionário terceirizado da NSA, mostrando que a agência havia espionado o celular da chanceler alemã, Angela Merkel. Fonte: Associated Press.