Esforços para firmar um Acordo Transpacífico entre os Estados Unidos, Japão, Austrália, Canadá, México, Chile e outros seis países terminaram sem sucesso na noite da sexta-feira. Em declaração conjunta, representantes de Comércio Exterior das nações participantes do projeto afirmaram que as reuniões desta semana se encerraram com “processo significativo” e que o diálogo continuará para o acordo, embora uma nova rodada de negociação não esteja marcada. Autoridades afirmam que divergências a respeito do livre comércio de lácteos entre os países, que representam quase 40% do Produto Interno Bruto (PIB) global, impediram que o acordo fosse fechado.

Representantes dos Estados Unidos e Canadá têm discutido nos últimos meses formas de utilizar o acordo para abrir o mercado de lácteos, que é fortemente protegido pelos canadenses, mas essa disputa se espalhou para outros países, como Austrália, Japão e Nova Zelândia. “Podemos ver claramente que há um ou dois temas muito difíceis, e um deles é a questão dos lácteos”, afirmou o ministro do Comércio da neozelandês, Tim Groser, em coletiva de imprensa.

Os laticínios são os principais produtos exportados pela Nova Zelândia, que quer garantir que o Acordo Transpacífico impulsione suas vendas externas. Já os Estados Unidos querem negociar a questão, mas também devem manter algumas de suas barreiras para evitar uma grande oferta de lácteos vindos deste país e da Austrália, segundo fontes do governo. O Canadá, por sua vez, considera tarifas de importação para os produtos importantes para o programa de controle de oferta vigente no país. A iniciativa protege os fazendeiros locais, que têm grande poder político e podem influenciar as próximas eleições para o Legislativo canadense. Além dos lácteos, representantes afirmam que houve divergência a respeito do comércio de automóveis e tarifas para alguns tipos de medicamentos.

Segundo Groser, no encontro desta semana os países concordaram em garantir “um acesso comercial significativo” para lácteos, mas disse que a definição destes termos ainda precisa ser trabalhada. Além disso, foram finalizadas parte do acordo que elevam os padrões de proteção ambiental no Vietnã, Malásia e outros países do bloco, uma prioridade para os democratas e para o governo do presidente Barack Obama, segundo fontes familiares com a questão.

Além das nações citadas, o Acordo Transpacífico inclui Brunei, Malásia, Peru, Cingapura e Vietnã. Os Estados Unidos esperam que o impasse seja superado em breve, antes que a vontade política para fechar o acerto se perca. Com a iniciativa, os norte-americanos querem minar os esforços da China, que tenta finalizar um acordo similar com 16 países, incluindo Austrália, Índia, Japão, Coreia do Sul e Nova Zelândia. Fonte: Dow Jones Newswires e Associated Press.