O Departamento de Estado dos Estados Unidos não se reunirá com a missão enviada a Washington pelo governo de facto de Honduras. Já o presidente deposto, Manuel Zelaya, deve ser recebido hoje pela secretária de Estado, Hillary Clinton. “Não sabemos de nenhuma delegação vindo para cá. Mas, se for do regime de facto, o Departamento de Estado não se reunirá com eles”, disse o porta-voz da chancelaria norte-americana, Ian Kelly, explicando que se trata de um governo que os EUA não reconhecem. Ele acrescentou que o objetivo norte-americano “continua a ser a restauração da ordem democrática em Honduras”. “Renovamos nosso pedido para que todas as partes encontrem uma solução pacífica”, afirmou Kelly.

Zelaya disse ontem que tentará de novo voltar a Honduras. “Disso não há dúvidas. Só não vou dizer como, senão eles vão se preparar.” Os dois lados reclamam da falta de envolvimento norte-americano na crise. No dia seguinte à deposição de Zelaya, o presidente dos EUA, Barack Obama, qualificou o ato de “ilegal” e Hillary reiterou que se tratava de um golpe. Depois, os norte-americanos se tornaram coadjuvantes, atuando apenas no âmbito da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Em Honduras, o governo manteve uma série de medidas restritivas como o toque de recolher (a partir das 22 horas). O aeroporto de Tegucigalpa foi fechado para voos comerciais por 24 horas. Os aliados de Zelaya fizeram uma manifestação com cerca de 2 mil pessoas e professores iniciaram uma greve em apoio ao presidente deposto.

Os partidários do presidente nomeado Roberto Micheletti convocaram para hoje uma série de atos em diversas cidades. Depois de um domingo tenso, no qual o avião que transportava Zelaya tentou pousar no aeroporto de Tegucigalpa e choques deixaram pelo menos um morto, as ruas da capital hondurenha estavam calmas ontem.