Governos europeus e a Turquia assinaram ontem um acordo em Ancara, capital turca, para a criação de um gasoduto que promete mudar as relações de poder na região. “Esse é um projeto essencial para nossa segurança energética”, disse José Manuel Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia. Mas a batalha diplomática é acirrada. O Kremlin vem pressionando seus parceiros na Ásia Central a não fornecer gás ao projeto. Nos bastidores, Moscou montou uma ofensiva para evitar o sucesso do projeto energético, que reduziria sua influência na Europa.

Depois de sete anos de negociações, o projeto do gasoduto, conhecido como Nabucco, começa a ganhar forma. Trata-se de uma iniciativa estratégica que envolve interesses não só europeus e turcos, mas norte-americanos, iraquianos e até iranianos. O objetivo principal da “nova rota da seda” é reduzir a dependência da energia da Europa em relação ao gás russo.

Para os turcos, o projeto é visto como a principal cartada para uma aproximação estratégica com a União Europeia, que hesita em aceitar Ancara como membro efetivo do bloco. O gasoduto terá 3,3 mil quilômetros e se espera que transporte 31 bilhões de metros cúbicos de gás do Mar Cáspio até a Europa, atravessando a Turquia e contornando a Rússia.

Hoje, 25% do gás que abastece as casas europeias depende da Rússia. Em alguns países, esse índice chega a 70%. A meta é que o primeiro fornecimento de gás ocorra em 2014, depois de investimentos estimados de US$ 10,9 bilhões. Mas, antes do início das obras, os governos terão de resolver dois problemas: quem pagará por ela com essa crise e de onde virá o gás.