O ex-ditador tunisiano Zine El Abidine Ben Ali foi condenado hoje à prisão perpétua pelo tribunal militar por seu papel na repressão em Thala e em Kasserine, duas cidades do centro do país símbolos da revolução tunisiana, indicou a agência de notícias local TAP.

A sentença tinha sido solicitada para o ditador deposto, refugiado na Arábia Saudita, e julgado com outros 22 membros de seu governo pela morte de 22 pessoas, entre os dias 8 e 12 de janeiro de 2011, no auge da repressão da revolta popular que derrubou Ben Ali.

Mais cedo, uma corte militar da Tunísia havia condenado o ex-mandatário, que foi julgado à revelia, a 20 anos de prisão, por incitação a homicídios e saques durante uma tentativa da polícia de tirar o sobrinho dele do país durante a revolta do ano passado.

O caso envolve a morte de quatro manifestantes, que foram baleados pela polícia na cidade costeira de Wardanein, enquanto tentavam evitar que Qais Ben Ali –que agora está preso na Tunísia– fugisse no dia 15 de janeiro de 2011, um dia depois de o presidente deixar o país.

Diversos assessores de Ben Ali também receberam condenações de cinco a dez anos de prisão, afirmou a agência oficial de notícias TAP.

Outras condenações

Ben Ali, que fugiu para a Arábia Saudita enquanto os protestos tomavam conta da Tunísia, já foi condenado a décadas de prisão, também à revelia, sob acusações que variam de corrupção à tortura, além de enfrentar outras acusações. No mês passado, um promotor do Exército da Tunísia exigiu que a pena de morte fosse imposta ao ex-presidente por sua atuação no assassinato de centenas de manifestantes nas cidades do país –onde a Primavera Árabe começou no ano passado. Existem, porém, poucas indicações de que o governo saudita esteja disposto a extraditar Ben Ali.

O governo da Tunísia enfrenta críticas por causa se seu fracasso em persuadir a Arábia Saudita a entregar Ben Ali e sua esposa Leila Trabelsi, uma ex-cabeleireira cujo estilo de vida luxuoso passou a ser visto pelos tunisianos como símbolo de uma era corrupta.