O escritório da promotoria de Paris informou que uma investigação foi aberta, após um dos reféns dos ataques realizados no entorno da capital francesa em janeiro acusar algumas emissoras de rádio e televisão de colocarem sua vida em risco e decidir processá-las. Vinte pessoas foram mortas, incluindo os três agressores, nos ataques extremistas islâmicos que terminaram com ações da polícia em uma gráfica e em um supermercado judaico onde havia reféns.

Na gráfica, o refém Lilian Lepere estava se escondendo num armário sob uma pia, aparentemente sem o conhecimento dos homens armados, quando pelo menos três emissoras de TV e rádio revelaram sua possível presença no local. Ele acabou sendo liberado sem ferimentos. O advogado de Lepere, Antoine Casubolo Ferro, disse à Associated Press que o processo busca aumentar a cautela da imprensa em situações de risco de vida.

“Fornecer informação sem uma consideração cuidadosa pode levar a ameaçar outras vidas”, disse o advogado. “Os jornalistas precisam pensar nisso.”

Em 9 de janeiro, após a polícia cercar a gráfica, o congressista Yves Albarello revelou à rádio RMC que um funcionário estava escondido no prédio. Mais tarde, a irmã de Lepere, Cindy, confirmou em entrevista à emissora pública France 2 que acreditava que seu irmão estava no local. Segundo Cindy, a família parou de telefonar para evitar que ele fosse descoberto pelos extremistas. Um jornalista da emissora de televisão TF1 também revelou a informação.

Em fevereiro, o órgão de monitoramento da mídia na França lançou advertências formais contra 16 emissoras de TV e rádio por causa da cobertura delas dos ataques terroristas, da tomada de reféns e dos impasses entre policiais e extremistas. Segundo a agência, as emissoras acabaram colocando a vida dos reféns em risco. O órgão, conhecido como CSA, também advertiu duas emissoras por divulgar imagens de um homem atirando na cabeça de um policial, nas proximidades da sede do semanário Charlie Hebdo. Fonte: Associated Press.