A reconstrução do centro do Chile, que foi atingido por um forte terremoto e um tsunami no dia 27 de fevereiro, vai demorar três anos e o país não conseguirá equilibrar seu orçamento até perto do fim do mandato do novo presidente, Sebastián Piñera. As afirmações foram feitas pelo ministro de Finanças chileno, Felipe Larrain, na reunião anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em Cancún.

“Não é possível nem desejável ajustar o balanço estrutural para voltar ao equilíbrio em 2010”, disse Larrain. “Nós estamos comprometidos em voltar ao equilíbrio estrutural, mas não neste ano ou em 2011. Nós vamos voltar no fim do mandato do presidente Piñera”, acrescentou.

O novo governo assumiu o poder em 11 de março e enfrenta a tarefa imediata de reconstruir a infraestrutura e as escolas do centro do país. Estimativas do governo indicam que os danos totalizam cerca de US$ 30 bilhões, pouco menos de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) do Chile, que é de aproximadamente US$ 165 bilhões.

Na sexta-feira, o governo revelou planos para transferir pouco mais de US$ 700 milhões do orçamento anual a um fundo de reconstrução. Isso será feito por meio de um corte de 5% nos gastos dos ministérios chilenos. O governo também está considerando a possibilidade de aumentar impostos.

“Se isso acontecer, e eu não estou dizendo que vai acontecer, será um aumento moderado”, disse Larrain. “Essa não será a principal fonte de financiamento para o processo de reconstrução e nós vamos garantir que isso não afete o crescimento econômico.”

Segundo o ministro, o governo chileno está estudando várias outras fontes de financiamento, como US$ 12 bilhões de um fundo separado, credores multilaterais – como o BID – e empréstimos do governo feitos nos mercados de dívida local e internacionais.

“Provavelmente nós vamos usar uma mistura dessas diferentes formas de financiamento para evitar, por exemplo, uma grande entrada de dólares que vai deprimir a taxa de câmbio”, afirmou Larrain.