Depois do colapso do cessar-fogo entre Israel e Hamas ontem (1), será difícil chegar a um acordo que leve à suspensão do combate, disse o presidente dos EUA, Barack Obama, em entrevista na Casa Branca. Segundo ele, o sequestro de um oficial israelense – o tenente Hadar Goldin, de 23 anos – pelo grupo ou outra facção palestina reduz a possibilidade de que a comunidade internacional e o governo de Israel confiem em compromissos assumidos pelo Hamas.

O cessar-fogo de 72 horas anunciado ontem (1) acabou 90 minutos depois de iniciado, na manhã de sexta-feira, quando dois soldados israelenses morreram e um terceiro foi sequestrado em um dos túneis construídos pelo Hamas entre Gaza e Israel. “Se eles são sérios em relação a resolver essa situação, o soldado deve ser libertado imediatamente e de maneira incondicional”, declarou Obama. O presidente ressaltou que o Hamas disse estar representando todas as facções palestinas de Gaza quando aceitou o cessar-fogo.

Dilema

Obama disse que há um “dilema” entre o direito de Israel de se defender e a preservação da vida de civis em Gaza, colocadas em risco pela prática do Hamas de lançar foguetes de áreas densamente povoadas.

Apesar das dificuldades, ele afirmou que seu governo continuará a trabalhar na busca de um cessar-fogo e de um acordo de longo prazo que coloque fim ao conflito entre israelenses e palestinos. Também disse que fará “tudo o que puder” para reduzir o número de vítimas civis em Gaza, onde pelo menos 1,4 mil pessoas morreram desde o início do conflito, no dia 7 – início da operação Limite Protetor lançada por Israel.

O presidente defendeu o secretário de Estado, John Kerry, e disse que ele foi alvo de “críticas injustas” em razão de sua atuação na negociação de um cessar-fogo, na semana passada. A atuação de Kerry foi atacada duramente por Israel, que considerou suas propostas favoráveis ao Hamas. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.