Nesta segunda-feira os advogados de defesa da família Marinho têm encontro marcado com o juiz Leandro Ribeiro da Silva, da 41ª Vara Cível do Rio de Janeiro. Eles terão que se pronunciar sobre o laudo emitido pelo Instituto Del Picchia, que apontou fraude em procurações e recibos referentes à compra da ex-Rádio Televisão Paulista, hoje TV Globo São Paulo. Até esta sexta-feira (05/07), a história só havia sido divulgada com amplitude na Tribuna da Imprensa. Agora é a vez de a Folha de S. Paulo publicar uma reportagem, assinada por Daniel Castro e Elvira Lobato, com novos detalhes e a versão dos acusados.

Os advogados de Roberto Marinho afirmam que os herdeiros do ex-deputado Oswaldo Ortiz Monteiro, autores do processo, estão agindo de má-fé. Regina Ortiz Monteiro, filha do político e inventariante dos espólios, quer anular a venda da TV para Marinho. Ela afirma que em 1955, seu pai e outros sócios venderam 52% das ações a Victor Costa Petraglia, que morreu quando a transferência da emissora para seu nome ainda não havia sido efetivada. Seu filho, Victor Costa Petraglia Júnior, decidiu pedir a transferência das ações somente após o término do inventário. Em 1964, ele vendeu sua parte a Roberto Marinho. No entanto, as ações continuavam no nome dos ex-acionistas. Somente em 1977 a transferência das 15.099 ações a Roberto Marinho foi formalizada. Os documentos entregues ao governo estavam no nome dos sócios iniciais.

Representados pelos advogados Paulo Boechat e Luiz Nogueira, os espólios de Manoel Vicente da Costa, Hernani e Oswaldo Ortiz Monteiro sustentam que a operação foi realizada com documentos falsos. A hipótese foi confirmada pelos peritos do Instituto Del Picchia: dois recibos com redação idêntica no valor de Cr$ 60.396,00, que teriam sido pagos por Marinho na compra das ações, foram assinados com 11 anos de diferença, 1964 e 1975.

Em outro documento, também com data de 1964, Oswaldo Monteiro transfere a Marinho a procuração que teria recebido dos outros sócios. Há também três procurações em nome do ex-consultor da Rede Globo, Luiz Eduardo Borgeth, contratado pela empresa em 1967. Porém, as datas das procurações são de 1953 e 1964. Nesses documentos, o CIC (CPF) de Borgeth revela outra contradição: tal documento só foi instituído na década de 70.

Para piorar, os peritos constataram que os documentos foram datilografados em máquina de escrever que não existia nas décadas de 50 e 60.

Os advogados da família Marinho afirmam que os herdeiros dos Ortiz Monteiro estão ocultando detalhes da negociação, ocorrida em 1955. O ex-deputado teria pedido transferência das ações para Victor Costa ao Ministério da Viação e Obras Públicas. Mas o processo foi interrompido com a morte de Costa, em 59. Quanto aos dois recibos de igual valor, redigidos com intervalo de 11 anos, os advogados dizem que isso é mais uma prova de que Oswaldo Monteiro queria mover as ações para o nome de Roberto Marinho.

O empenho dos espólios dos ex-sócios da TV Paulista pode ser em vão. A Globo lembra que a ação em curso não pode mudar a atual situação, já que os fatos ocorreram há mais de 20 anos, estando prescritos. (Fonte: Comunique-se)