As favelas de Nova Délhi se transformaram em pontos para turismo desde que visitas guiadas a estes locais tem atraído grande número de interessados em ver como o povo sobrevive ao lado de toneladas de lixo.

Desta forma, a capital da Índia se juntou à lista de cidades com visitas guiadas a locais conhecidos como favelas. A moda pegou em Mumbai, após a exibição de “Quem Quer Ser um Milionário”, vencedor do Oscar de melhor filme, em 2009.

O responsável pela iniciativa, Yoga Shiva, que se define como “profissional de entretenimento”, embarcou no projeto através da ONG americana “Proporcionando educação a todos”.

Segundo Shiva, que antes cuidava de organizações de festas, banquetes e shows, “o objetivo é que uma parte dos lucros seja investida na construção de escolas dentro das favelas”.

Shiva afirma que desde o início do programa, em janeiro, a cada mês cerca de 30 a 40 turistas visitam as favelas, em sua maioria americanos, holandeses, alemães, franceses e israelenses.

O passeio às favelas custa US$ 6 (R$ 12) e o visitante pode conhecer de perto os barracos – de barro, de tijolos, de plástico ou de papelão – onde vivem milhares de famílias de baixa renda.

A área de Baba Faridpuri – onde vive mais de um milhão de pessoas – é habitada por emigrantes de várias cidades da Índia. Eles trabalham como peões, com ferro velho, como ambulantes ou como motoristas de bicicletas com cabine de passageiros. A área não é das piores de Nova Délhi, que tem cerca de 20 milhões de habitantes morando em favelas.

Em contraste com os habitantes de outros assentamentos informais da cidade, os de Baba Faridpuri têm acesso à rede elétrica e pegam água através de cisternas comunitárias que são abastecidas regularmente.

Lelita, de 28 anos, mora com seu marido e os quatro filhos em um barraco de Baba Faridpuri. O casal tem uma renda mensal de aproximadamente US$ 100 (R$ 200). “Queríamos viver em uma casa de verdade”, admite Lelita. Apesar das condições de sua família, Lelita conta que é “feliz”.

Para Shiva, “os habitantes de Baba Faridpuri são felizes por estarem com suas famílias, porque para ser feliz não é necessário dinheiro, é preciso amor, e isso eles têm de sobra. O dinheiro importa, mas não é tudo na vida”, afirma.