A filha mais velha do lendário líder guerrilheiro Ernesto “Che” Guevara qualificou os dissidentes cubanos em greve de fome como criminosos comuns, não como prisioneiros políticos. Em declarações feitas ontem, durante conferência na Universidade Federal da Bahia, Aleida Guevara disse que o dissidente cubano Orlando Zapata Tamayo, morto em 23 de fevereiro depois de 83 dias de greve de fome, não era um preso político.

De acordo com o professor de filosofia João Carlos Salles, que assistiu à conferência, Aleida qualificou Zapata como “um criminoso comum que se declarou em greve de fome não para exigir liberdade, mas para reivindicar um televisor, um telefone e uma cozinha”. Ainda segundo Aleida, Guillermo Fariñas, outro prisioneiro cubano em greve de fome, é outro criminoso comum que difamava Cuba a serviço dos Estados Unidos, relatou Salles.

Os comentários de Aleida vêm à tona apenas alguns dias depois de o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, ter criticado a greve de fome de presos cubanos. “Eu não acho que uma greve de fome possa ser usada como pretexto humanitário para a libertação de prisioneiros. Imagine se todos os detentos de São Paulo entrassem em greve de fome para exigir liberdade”, disse Lula. Aleida Guevara está no Brasil para uma série de eventos promovidos pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST).