María Delfina Rossi, filha do ministro da Defesa da Argentina, Agustín Rossi, passou a integrar hoje a diretoria do Banco de la Nación, a maior instituição financeira do país. O caso causou controvérsia tanto pelo parentesco quanto pela idade da economista de 26 anos. Formada em Barcelona, para onde se mudou em 2002 com sua mãe, e com um master em Florença, María defendeu-se das acusações de favorecimento.

“Cheguei ao banco pela minha trajetória acadêmica e profissional. Parece que muitos olharam mais os dados do meu RG que meu currículo”, disse à agência pública Telam a mais jovem integrante da diretoria de um banco no país.

A nomeação passou a ser usada contra o kirchnerismo na campanha política – o país tem eleições em 25 de outubro.

Um abaixoassinado para revogar a nomeação foi criado no site change.org por um advogado ligado ao partido Proposta Republicana (PRO), legenda do principal candidato opositor, Mauricio Macri, prefeito de Buenos Aires. “A designação da filha de Agustín Rossi é arbitrária e viola a lei. Falta idoneidade técnica necessária para o cargo em questão”, diz a petição, que pretende alcançar 7,5 mil adesões.

O representante kirchnerista e favorito para a eleição é Daniel Scioli, governador da Província de Buenos Aires. A indicação foi defendida pelo número 2 do governo, o chefe de gabinete Aníbal Fernández. Ele ponderou que as contratações do banco deveriam ser feitas por concurso, mas aprovou o nome da filha de seu colega. “Nos últimos 80 anos foi nomeado um monte de gente inútil, que não tinha 1% de condições de exercer o cargo no Banco de la Nación e tinha muita idade”, ponderou Fernández.

María se apresenta no Twitter como nascida em Rosario, na Argentina, e politizada em Barcelona. No ano passado, ganhou alguma notoriedade por concorrer a uma vaga no Parlamento Europeu por um partido de esquerda da Catalunha. Ela não foi eleita e agora se mudará para seu país natal para ganhar 70 mil pesos, o equivalente a R$ 26 mil. (correspondente do jornal O Estado de S. Paulo)