Os cães e gatos estão cada vez mais inseridos na vida familiar das pessoas. É comum que eles participem de todas as atividades desenvolvidas dentro de casa e tenham hábitos em comum com seus proprietários, inclusive no que diz respeito à alimentação.

Segundo a médica veterinária Aryele Herrera, que trabalha na clínica Wistuba, em Curitiba, muitos donos de animais domésticos erroneamente acreditam que o alimento que faz bem para a saúde deles próprios também é benéfico para a saúde de seus bichinhos.

Dessa forma, em muitas residências é considerado normal que, assim como as pessoas, gatos e principalmente cães se alimentem de arroz, feijão, carne branca ou vermelha e mesmo macarrão. Algumas pessoas também costumam dar petiscos aos animais, como salgadinhos industrializados, pipoca, pedaços de chocolate, pães e queijo. ?Os gatos normalmente são um pouco mais seletivos em relação à alimentação. Porém, os cães costumam ficar bastante felizes quando recebem esses petiscos, o que incentiva as pessoas a cometerem o erro de fornecê-los?, comenta Aryele. ?Muitas vezes, os animais chegam a pedir pelo alimento e os donos acabam fazendo-lhes a vontade.?

Algumas pessoas também falham ao acreditar que as rações são insossas e tediosas aos animais. A quem pensa isso, a veterinária explica que a maioria delas tem alta palatabilidade aos cães e gatos, contêm nutrientes importantes e devem ser tidas como alimentação exclusiva. ?A indústria alimentícia voltada a animais cresceu e se desenvolveu muito nos últimos anos. Hoje existem diversos tipos de rações, inclusive destinadas a raças específicas e filhotes?, diz Aryele. ?Depois que o bicho se acostuma a comer comida de gente, é um pouco difícil para que ele passe a aceitar ração. Entretanto, pelo bem do animal, os donos devem insistir. Quando o bicho sente fome e não tem outra opção, acaba ingerindo a ração e se acostumando com ela.?

Além de serem importantes para o bem-estar dos animais, as rações proporcionam praticidade de alimentação, contribuem com a higiene do bicho e conseqüentemente do local onde ele vive, resultando em fezes mais compactas.

Doenças

Uma alimentação inadequada pode diminuir o tempo de vida dos animais, sendo responsável pelo aparecimento de diversas doenças. Cães e gatos que recebem alimentos próprios aos seres humanos possuem maior predisposição a serem vítimas de obesidade, diabetes, problemas renais, de pele e infecções intestinais. ?Também podem ser verificados distúrbios comportamentais, como realização constante de ações repetitivas: latir diante de determinadas situações, pular e girar.? 

Atenção com produtos químicos

Os animais domésticos são como crianças. Por isso, os proprietários também devem cuidar para que eles não tenham acesso a produtos químicos, como inseticidas, medicamentos, venenos para rato, agrotóxicos e produtos de limpeza (sabão em pó, detergente de cozinha, quiboa, etc.). Os casos de intoxicações devido à ingestão dessas substâncias são relativamente comuns nas clínicas veterinárias.

?Muitas vezes acontece de as pessoas limparem o chão e mais tarde, quando o piso ainda está úmido, o animal ir até o local e lamber a substância utilizada, vindo a passar mal?, revela o médico veterinário Ferdinando Niederheitmann, responsável pela clínica Curitiba, na capital. ?Acontece muitas vezes de os proprietários deixarem veneno para rato em condições de o animal ingerir.?

Nesse caso, os incidentes costumam acontecer em maior número com a warfarina, um veneno de rato bastante utilizado. O produto, quando ingerido, provoca hemorragias e destrói os fatores de coagulação sangüínea dos animais, matando a longo prazo. ?Na maioria das vezes os produtos químicos são fatais aos animais. Devem tomar cuidados redobrados pessoas que possuem filhotes.?

Em caso de ingestão acidental de produtos químicos, o melhor que os proprietários do animal têm a fazer é ligar imediatamente para um veterinário de confiança e pedir orientações sobre como proceder. Muitas vezes, o médico aconselha que se provoque o vômito do animal. Depois, na clínica, pode ser necessária a realização de lavagem gástrica e utilização de medicamentos. Nunca se deve dar leite ao bichinho intoxicado. (CV)

Sem cuidados, problemas aparecem

Há algumas semanas, a cadelinha Deca, de 8 anos, deu um susto na dona de casa Maísa Panmunzio. De uma hora para outra, Deca deixou de brincar, de comer, começou a ficar apática e a ter diarréia e crises de vômito. Quando o animalzinho foi levado a uma clínica veterinária, o médico que a atendeu constatou que os sintomas eram de infecção intestinal em função de alimentação inadequada.

?Sempre dei carne bovina e frango para a Deca. Como ela gosta muito desse tipo de alimento e chega a pedi-lo, nunca imaginei que pudesse ser prejudicial?, conta Maísa. ?Agora, estou procurando fazer com que ela aceite se alimentar de ração. Ela ainda não se acostumou com o produto, mas o veterinário disse que devo insistir para que ela coma.? Devido ao problema de saúde, Deca precisou ficar três dias internada, receber soro e outros medicamentos. (CV)

Petiscos para cada espécie

Para quem não abre mão de fazer pequenos agrados alimentares a seus gatos e cachorros, existem à venda nos pet shops diversos petiscos específicos que podem ser dados aos animais sem prejudicar a saúde deles.

É possível encontrar biscoitos especiais, ossinhos comestíveis, alimentos que imitam batata frita e mesmo chocolates sem adição de açúcar. Também existem produtos de panificação e, nas proximidades do Natal, é possível encontrar até panetones. Para beber – embora os veterinários costumem dizer que a água é insubstituível – já existem até refrigerantes para animais.

?São alimentos específicos e que podem ser dados como prêmio aos animais quando eles fazem alguma coisa solicitada pelos donos corretamente ou quando pedem por petiscos?, diz a veterinária Ary-ele. ?Assim como as rações, os produtos possuem alta palatabilidade, não possuem açúcar, gordura e são de fácil digestão. Para cada espécie existe um produto específico que poderá ser consumido.?

Apesar de próprios aos animais, os petiscos continuam sendo petiscos. Por isso, os donos não devem permitir que os animais se alimentem apenas deles, nem fornecê-los em excesso. ?A ingestão dos petiscos deve ser controlada. Existe uma quantidade certa a ser fornecida por dia, dependendo do peso do animal e da marca do produto. O mais indicado é consultar um veterinário, pois apenas ele pode dar orientações corretas?, finaliza. (CV)