Forças de segurança iraquianas retomaram nesta terça-feira a cidade de Alam, nas proximidades de Tikrit, que ainda é controlada pelos militantes do Estado Islâmico, informaram dois oficiais militares. A ação faz parte da ofensiva contra os extremistas

As forças iraquianas entraram em Alam durante a madrugada e horas depois já havia retomado o controle total da cidade, afirmaram as fontes, que falaram em condição de anonimato. A retomada de Tikrit, cidade natal do ex-ditador Saddam Hussein, é um importante teste para as forças iraquianas, que lutam para reconquistar parte do território tomado pelo Estado Islâmico.

Ahmed al-Karim, chefe do conselho provincial de Salahuddin, disse à Associated Press que o progresso tem sido lento em razão das bombas plantadas pelos militantes e dos ataques de francoatiradores.

Tikrit, capital da província de Salahuddin, que fica a cerca de 130 quilômetros ao norte de Bagdá, caiu nas mãos do Estado Islâmico em meados de 2014, assim também como a segunda maior cidade do Iraque, Mosul, e outras áreas no coração sunita do país.

A ofensiva para retirar Tikrit do Estado Islâmico recebe assistência significativa de conselheiros militares iranianos que estão coordenando da milícias xiitas iraquianas no campo de batalha. A coalizão liderada pelos Estados Unidos disse que não forneceria apoio aéreo nesta missão particular porque os iraquianos não pediram.

Antes da retomada de Alam, a ofensiva obteve sucesso em recuperar algumas vilas e cidades, principalmente Dawr, que fica ao sul de Tikrit. Dentre os líderes da operação está o general Ghasem Soleimani, comandante da poderosa Força Quds da Guarda Revolucionária.

O papel e a importância de milícias xiitas na campanha levantaram temores sobre uma possível limpeza sectária caso Tikrit, cidade majoritariamente sunita, passe a se controlada pelas tropas do governo.

Militares norte-americanas disseram que uma missão militar coordenada para retomar Mosul deve acontecer em abril ou maio e envolver até 25 mil soldados iraquianos. Mas os norte-americanos advertiram que, se os iraquianos não estiverem prontos, a ofensiva pode ser adiada

O general Martin Dempsey, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, disse durante visita à região na segunda-feira, que está “um pouco preocupado” sobre se a coalizão internacional que combate o Estado Islâmico é sustentável no que diz respeito ao desafio, de longo prazo, de confrontar os extremistas em outras regiões.

Dempsey disse que em termos militares, a campanha contra o Estado Islâmico está “no caminho”, mas para ele tão importante quanto isso é manter a coalizão no longo prazo. A predominância xiita em Bagdá contraria países majoritariamente sunitas como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Fonte: Associated Press.