A Justiça da França deu início hoje, em Paris, ao novo julgamento do ex-ditador do Panamá, Manuel Noriega, já condenado à revelia em 1999 a 10 anos de prisão por lavagem de dinheiro e tráfico de drogas. Além de confirmar sua sentença, o objetivo do novo processo é esclarecer a rede de contatos que permitiram ao ex-presidente lavar no país um total de 15 milhões de francos – ou 2,3 milhões de euros – provenientes do Cartel de Medellín usando o sistema financeiro europeu.

A reabertura do processo faz parte do acordo firmado entre os governos da França e dos Estados Unidos, que permitiu a extradição do ditador do território norte-americano, onde cumpria pena de prisão desde 1990. Noriega foi extraditado em 26 de abril e desde então está preso em uma cadeia de Paris.

Hoje, na primeira sessão do tribunal parisiense, os advogados de defesa evocaram a Convenção de Genebra e questionaram a legitimidade da França para julgar um ex-chefe de Estado por crimes supostamente cometidos durante o seu mandato. “Nós acreditamos que não há infração constituída e nós vamos tentar demonstrá-lo”, antecipou Olivier Metzner. “O que nós queremos é que ele possa retornar ao Panamá o mais rápido possível, onde ele é esperado.”

Apesar do desejo de Noriega, as chances de que ele deixe a capital francesa livre são remotas. A procuradoria de Paris afirma dispor de todas as provas do trânsito de dinheiro ilegal por três bancos franceses, que permitiram ao ex-presidente e à sua mulher, Felicidad, também condenada, a adquirir três apartamentos de luxo em Paris nos anos 90. Ainda que o julgamento seja visto como uma formalidade, a sentença só deverá ser conhecida a partir do final do mês de setembro.