A ministra do Meio Ambiente da França, Ségolène Royal, alertou em entrevista à Associated Press que as mudanças climáticas representam um risco à segurança internacional. Royal é uma das mais experientes agentes políticas da França e viaja aos Estados Unidos na quinta-feira para pressionar o governo a se comprometer com um acordo global para reduzir a emissão de gases do efeito estufa, que será discutido em uma conferência em Paris ainda este ano.

A ministra terá um trabalho difícil em Washington. O Congresso norte-americano é liderado pelos republicanos e é descrente em relação à ciência por detrás das mudanças climáticas. Os parlamentares também resistem a um tratado que tenha valor legal e obrigue o país a reduzir suas emissões.

O presidente Barack Obama, por outro lado, declarou recentemente que a elevação do nível do mar e a escassez de recursos naturais podem agravar a instabilidade no mundo.

“Se todos perceberem que o custo de não agir é muito maior que o custo de agir, então eu acho que podemos convencer alguns membros do Congresso que ainda estão resistentes”, afirma Royal.

Segundo ela, Obama está certo em utilizar o argumento de segurança nacional, que raramente é empregado na Europa, onde as pessoas aceitam mais facilmente a ideia de que a humanidade é responsável pelo aquecimento global. “A questão climática está no cerne da questão da segurança”, pontua, citando o número crescente de refugiados que sofrem com desastres climáticos e escassez crônica de recursos.

Enquanto a França defende um tratado com valor legal, Royal sugere um plano B que envolve medidas regulatórias que não estão sujeitas a aprovação total de Congressos. Ela pretende convidar empresas a se comprometerem com o acordo, argumentando que faz sentido reduzir as emissões, caso se pense a economia no longo prazo. No entanto, essa proposta suscitou críticas de ativistas, que consideram uma hipocrisia associar o projeto a empresas de petróleo e construção civil.

A ministra também afirma que é preciso reduzir o “abismo” entre os países em desenvolvimento, que sofrem os efeitos do aquecimento global, as nações desenvolvidas – que causam os transtornos. Essa lacuna já levou ao fim negociações do tipo, como as realizadas em Copenhagen em 2009. Fonte: Associated Press.