O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, chegou hoje à Coreia do Sul com o objetivo de enfatizar a aliança que os Estados Unidos mantém com Seul, no momento em que as duas nações planejam manobras militares conjuntas numa mensagem de dissuasão para a Coreia do Norte. A visita de Gates acontece em meio à contínua tensão na Península Coreana, que se agravou após o afundamento do navio de guerra Cheonan da Coreia do Sul, por um torpedo que teria sido disparado por um submarino norte-coreano. O incidente deixou 46 marinheiros mortos e a Coreia do Sul culpou o país vizinho pelo ataque.

Uma investigação internacional concluiu em maio que um submarino norte-coreano disparou um torpedo que afundou o navio de guerra no Mar Amarelo, num local próximo à tensa fronteira marítima entre os países. A Coreia do Norte rejeitou com firmeza as acusações e alertou que qualquer punição da comunidade internacional provocará uma guerra.

Gates voou para um aeroporto militar perto de Seul e deverá ter uma reunião amanhã com seu congênere sul-coreano, Kim Tae-young. Na quarta-feira, EUA e Coreia do Sul terão outra reunião, desta vez com a presença da secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton. Segundo militares, o esperado é que os EUA e a Coreia do Sul aprovem uma série de manobras militares conjuntas, que incluirão exercícios navais nas costas oeste e leste da Península Coreana.

“Nós ainda não estamos prontos para anunciar os detalhes precisos dessas manobras, mas elas envolverão muitos recursos e soldados e deverão ter início num futuro próximo”, disse o porta-voz do Pentágono, Geoff Morrell, na semana passada. “Todas essas manobras militares são, por natureza, defensivas, mas enviarão uma mensagem clara de dissuasão à Coreia do Norte e demonstrarão nosso total comprometimento com a defesa da Coreia do Sul”, afirmou.

Inicialmente, as reuniões foram agendadas para marcar o aniversário de 60 anos do começo da Guerra da Coreia (1950-1953) e para a discussão de estratégias bilaterais de longo prazo. Os EUA ainda possuem 28.500 soldados em guarnições na Coreia do Sul, um legado da guerra contra o norte comunista dos anos 1950, um confronto que terminou com um armistício e não com um tratado de paz formal.