O general Raúl Baduel, ex-ministro da Defesa da Venezuela, pediu que o governo da Colômbia ignore os ataques do presidente venezuelano, Hugo Chávez. Na sexta-feira, o líder venezuelano acusou Bogotá de planejar, junto com os EUA, uma "agressão militar" contra Caracas. "Suplico para o povo colombiano que ignore isso, que assuma a ignorância de toda essa verborragia de falta de respeito e siga seu esforço de consolidar a paz", afirmou Baduel ao jornal colombiano El Tiempo.

Até há pouco tempo, Baduel era um dos homens de confiança de Chávez, mas rompeu com o presidente em meados de 2007 por opor-se à reforma constitucional impulsionada pelo líder venezuelano. Atualmente, Baduel é uma das principais figuras da oposição ao governo de Chávez. Segundo o general, a atitude combativa de Chávez em relação à Colômbia faz parte de uma estratégia do presidente de recuperar seu apoio popular dentro da Venezuela. "O que ele (Chávez) pretende é, por meio da ameaça de um suposto inimigo externo, acudir a um nacionalismo desesperado", disse Baduel.

Durante suas declarações na sexta-feira, Chávez acusou o presidente colombiano, Álvaro Uribe, de estar conspirando uma "provocação bélica" contra a Venezuela, com a ajuda de Washington. O venezuelano ainda afirmou que Uribe é "um peão do império" americano. Neste sábado (26), Chávez reiterou as acusações na abertura da cúpula dos líderes da Alternativa Bolivariana das Américas (Alba) em Caracas. "Alerto o mundo do seguinte: o império norte-americano está criando condições para começar um conflito armado entre a Colômbia e a Venezuela", afirmou Chávez. O líder venezuelano usou como argumento para suas acusações o fato de altos funcionários do governo americano terem visitado a Colômbia na semana passada – entre eles, a secretária de Estado, Condoleezza Rice.

O chanceler colombiano, Fernando Araújo, preferiu não comentar as afirmações de Chávez e limitou-se a dizer que o governo de Uribe faz contatos com a Venezuela por meio de gestões diplomáticas. Baduel lamentou o ocorrido e disse que as relações entre os dois países devem ficar cada vez mais deterioradas. As relações entre Bogotá e Caracas estão estremecidas desde novembro, quando Chávez congelou os laços diplomáticos em resposta à decisão de Uribe de suspender a colaboração do colega venezuelano como mediador no esforço por um acordo humanitário entre o governo colombiano e a guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). A troca de farpas entre Chávez e Uribe se intensificou no começo do mês, quando o venezuelano pediu para que a Europa e os governos latino-americanos tirassem as Farc da lista de organizações terroristas.