O governo paquistanês voltou atrás em sua versão sobre a causa da morte da ex-premiê Benazir Bhutto – assassinada num atentado na quinta-feira logo após um comício em Rawalpindi, perto da capital. Imagens do ataque mostram um homem atirando contra a líder da oposição e logo depois uma explosão.

Tentando minimizar possíveis acusações de negligência na segurança alocada a Benazir, Islamabad afirmou que a líder havia morrido ao bater a cabeça no teto solar do carro onde estava, e não em decorrência dos tiros. A família de Benazir rejeitou a versão. Hoje, o porta-voz do Ministério do Interior Javed Iqbal Cheema disse que o governo esperará agora a conclusão dos médicos forenses. "Não há a intenção de esconder da população", disse. Hoje, no entanto, Athar Minallah, um dos membros da direção do Hospital Geral de Rawalpindi, publicou uma carta dizendo que a polícia o impediu de realizar uma autopsia.

Latif Khosa, assessor da ex-premiê, revelou hoje que Benazir planejava entregar a dois legisladores americanos, no dia de sua morte, um dossiê de 160 páginas detalhando supostas fraudes eleitorais planejadas pelo governo para a votação do dia 8. A comissão eleitoral anunciou hoje que as eleições parlamentares serão adiadas, mas a nova data só será confirmada amanhã. O chanceler francês, Bernard Kouchner, chegou hoje a Islamabad para discutir a crise no país com o presidente Pervez Musharraf. Desde a morte de Benazir, 58 pessoas morreram em confrontos em todo o país.