As ações grevistas contra a reforma previdenciária continuam a perder força na França à véspera de mais um dia nacional de protestos convocado por sindicatos. A Assembleia Nacional do país deve realizar hoje a votação final do projeto, que levou milhões às ruas contra a proposta do governo Nicolas Sarkozy.

A reforma, que prevê o aumento da idade mínima para aposentadoria de 60 para 62 anos, deve ser aprovada com tranquilidade na Assembleia Nacional, onde a situação tem maioria. Antes de virar lei, porém, deverá enfrentar contestações judiciais da oposição socialista no Conselho Constitucional. A previsão é que Sarkozy não garanta a entrada em vigor do texto até o meio de novembro, no mínimo.

Cinco refinarias francesas estão prontas para retomar suas operações, disse um porta-voz das refinarias do país em entrevista hoje. O funcionário notou, porém, que a greve no complexo portuário de Fos-Lavera, no sul do país, atrapalha essa retomada. Por esse complexo, parado há 31 dias, entram muitos navios com petróleo e partem dali embarcações com derivados. As greves têm prejudicado particularmente os postos de combustível, muitos dos quais enfrentam a falta do produto pelo país.

O impulso de alguns sindicatos parece perder força. O sindicato dos controladores aéreos, UNSA-ICNA, informou no fim desta terça-feira que não participará das greves amanhã. O tráfego ferroviário francês continua a melhorar hoje, ainda que entre 10% e 30% dos trens não estejam operando, disse um porta-voz do operador estatal de trens, SNCF. Os trens locais são os mais afetados, com apenas 60% a 70% dos serviços ocorrendo normalmente. Já entre os trens rápidos de longa distância TGV, o índice de normalidade é de 90%.

O ministro do Orçamento, François Baroin, afirmou em entrevista à rádio francesa Europe 1 que o movimento grevista estava “em uma fase de conclusão”. Ele notou que não se pode arcar com greves muito custosas para o país. O ministro do Trabalho, Eric Woerth, também disse ver “sinais positivos” dos trabalhadores. Ele citou os lixeiros de Marselha, que voltaram ao trabalho. “O bloqueio geral do país não tem o apoio do povo francês”, avaliou ele, em entrevista ao jornal La Tribune.

O otimismo, porém, não é compartilhado pelos principais sindicatos. “Mudar a forma de protestar não significa desistir da ação”, advertiu Bernard Thibault, um líder da Confederação Geral do Trabalho (CGT), principal central sindical francesa. Thibault notou que a maioria dos trabalhadores e da opinião pública em geral está contra o projeto de reforma previdenciária. As informações são da Dow Jones.