O Estado acompanha o avanço do vírus H1N1 no mundo desde o anúncio dos primeiros casos no México, ainda em abril. Revendo as mais de cem reportagens publicadas neste período, constata-se que do surgimento do primeiro surto até hoje, quando enfrentamos uma pandemia, foram adotadas diversas medidas para tentar combatê-lo, muitas delas que depois verificou-se serem ineficazes. Ou absurdas, como a matança de porcos, a restrição a viagens a países com casos positivos, o fechamento indiscriminado de locais públicos e o uso de máscara cirúrgica por quem não está contaminado. Mesmo assim, mais de três meses depois, algumas delas ainda estão sendo reeditadas no Paraná.

25 de abril – Decretado recesso escolar na área metropolitana da Cidade do México devido a uma epidemia de gripe suína, sobre a qual pouco se conhecia, mas que já teria matado pelo menos 20 pessoas. Dias depois, após testes, o número oficial seria rebaixado. Sabia-se que a nova gripe era uma variante do vírus influenza, mas então afirmava-se que era ‘uma doença comum em suínos e rara em humanos’. Na época acreditava-se que a vacina contra a gripe comum seria eficaz, e por isso a capital mexicana anunciava uma campanha de vacinação.

26 de abril – O Estado estampava na página 10: ‘Surto da gripe suína é muito grave, afirma OMS’. Até então o vírus estava restrito ao México e EUA. A OMS também desmentia rumores de que profissionais da saúde haviam se contaminado – situação semelhante a que acontece hoje em Curitiba. O prefeito da Cidade do México, Marcelo Ebrard, também dizia que, ao contrário do que havia sido anunciado dias antes, não haveria vacinação, ‘por que não há nenhum medicamento que garanta proteção por se tratar de uma nova variação do vírus’.

28 de abril – A OMS elevava o nível de alerta para pandemia de 3 para 4 (num limite de 6). A mudança significava que havia sido detectado um novo surto com característica de transmissão de humano para humano. Além do México e EUA, já havia casos confirmados no Canada e Espanha, e suspeitos em vários outros. A América Latina estava em alerta.

30 de abril – ‘Pandemia é iminente’, era a manchete da página 12, onde a OMS anunciava que elevara o nível de risco de 4 para 5.

1.º de Maio – A OMS deixava de usar o termo ‘gripe suína’ para evitar confusão e tentar impedir que se atribuísse aos porcos um risco inexistente. Desde então a entidade só usaria a nomenclatura científica: influenza A (H1N1).

3 de maio – A OMS esclarecia que não recomendava a restrição a viagens e o fechamento de fronteiras, como já ensaiavam alguns países. Também que não havia risco de infecção no consumo de carne suína. E reforçava que o importante são as medidas de higiene pessoal, principalmente lavar as mãos com freqüência com água e sabão. Um sinal de que o H1N1 não é tão letal quanto se acreditava no início: o vírus havia circulado por um mês na Cidade do México, que tem uma população de 20 milhões, e o número de mortos não havia chegara a 20.

4 de maio – Apesar dos esclarecimentos da OMS, países continuavam adotando medidas não recomendadas. O Egito sacrificava porcos e a Argentina suspendera os voos entre Buenos Aires e Cidade do México. No México, a indicação para se evitar aglomerações – correta -atrapalhava a campanha eleitoral.

5 de maio – O vírus perdia força no México, mas avançava sobre o Hemisfério Sul.

6 de maio – A China mantinha mexicanos em quarentena.

8 de maio – O Brasil confirmava quatro casos no país, no dia em que OMS informava que eram 2.371 casos em 24 países, com 44 mortes.

10 de maio – A Costa Rica anunciava uma morte pela nova gripe, a primeira na América do Sul. A ONU alertava contra medidas discriminatórias adotadas contra cidadãos de países mais afetados pela epidemia.

12 de maio – A China registra o primeiro caso.

15 de maio – O México dizia que iria pedir à OMS um ‘ressarcimento financeiro’ por ter alertado o mundo sobre a epidemia.

19 de maio – Países pressionam para OMS não anunciar pandemia – Motivo: temor de perdas econômicas.

22 de maio – A Cidade do México suspendia o alerta gripal. Há uma semana não havia registro de novos casos na cidade.

19 de maio – Gripe provoca suspensão de aulas em seis escolas na Argentina. O número de casos no país ‘saltara’ de 5 para 19 no fim de semana.

20 de maio – Número oficial de mortos no mundo chega a 100.

12 de junho – ‘A primeira pandemia do século’ era anunciada pela OMS, que pedia calma aos governos e populações. A decretação levaria as empresas farmacêuticas a acelerarem a produção de uma vacina para doença e governos a concederem recursos para açõesde combate.

13 de junho – ‘Laboratórios correm para criar vacinas’

14 de junho – ‘Avanço da gripe suína no Cone Sul preocupa OMS’: Chile tinha 4.300 casos, Argentina 1.010. O Brasil registrava os primeiros, mas a OMS advertia que o país deveria esperar um grande aumento por causa da chegada do inverno.

25 de junho – ‘Bachelet critica o Brasil por recomendação sobre gripe’- A presidente chilena censurava o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, que dois dias antes sugerira que os brasileiros não viajassem ao Chile e Argentina. Médica, ela disse ao colega: ‘Esse tipo de resposta, do susto, do medo, não é a solução…’

26 de junho – Casos nos EUA ultrapassam um milhão.

3 de julho – ‘Gripe suína ameaça paralisar a Argentina’- Cidades fechavam locais públicos para conter o avanço da doença que já teria matado 45 pessoas.

7 de julho – ‘Gripe suína é incontrolável, afirma OMS’ – Por isso, conclui, é preciso que todos os países tenham acesso à vacina.

15 de julho – Argentina supera México em número de mortos. Eram 137 óbitos, contra 124 no país onde a doença surgira. Os EUA anunciavam 170.

18 de julho – ‘OMS deixa de contar casos de gripe suína’ – A organização explicava que pandemia se espalhava numa velocidade sem precedentes e que por isso a contagem individual não era mais essencial para avaliar
o risco.

23 de julho – Começam os testes para vacina contra o H1N1. Austrália realizava os primeiros testes em humanos.

31 de julho – “América Latina é a região mais atingida pelo H1N” – Cerca de dois terços das 816 mortes em decorrência da nova gripe aconteceram na região. Depois da Argentina, com 165 óbitos, vinham o México (138), Chile (79), Brasil (63) e Peru e Uruguai (ambos com 23).

1.º de agosto – ‘OMS aguarda fim da temporada da gripe sazonal’ –  A entidade afirma que com o fim do inverno no Hemisfério Sul, será mais fácil avaliar a propagação do vírus H1N1.

8 de agosto – ‘Vacinação contra gripe suína vai começar pelos ricos’ – Explicação da OMS: ‘O momento mais forte da disseminação da doença é o inverno e a vacina é mais eficaz se é dada antes da temporada de gripe. E como o inverno se aproxima agora do Hemisfério Norte, a Europa e América do Norte que terão prioridade.

9 de agosto – ‘Pesquisa não recomenda antivirais para as crianças’- Estudo publicado no British Medical Journal afirmava que o Tamiflu e o Relenza poderiam ser mais nocivos do que benéficos para crianças de até 12 anos.

12 de agosto – “H1N1 já perde força no Hemisfério Sul” – Um dado que contradiz o alarmismo provocado pela nova gripe: o número ofical de mortos pela gripe suína no mundo chegava, depois de mais de três meses, a 1.462. Em comparação, a gripe comum causa entre 250 mil e 500 mil mortes todos os anos, e resulta entre 3 e 5 milhões de casos graves anualmente, informou a OMS.

13 de agosto – ‘OMS recomenda Tamiflu somente em casos graves’. Em resposta ao estudo divulgado dias antes, a organização reiterava que continua a recomendar o antiviral. Oscar Árias, da Costa Rica, foi o primeiro presidente a contrair a gripe suína. Aos 67 anos e asmático, ele comentou : ‘A pandemia não discrimina ninguém’.

15 de agosto – Gripe suína matou 404 na Argentina, desde que foi confirmado o primeiro óbito, em 15 de junho.No total, são 793.637 casos no país.