Subiu para 74 o total de mortes em decorrência do atentado ocorrido ontem, em Kampala, capital de Uganda. Centenas de pessoas ficaram feridas. As vítimas assistiam aos últimos lances da final da Copa do Mundo em um restaurante e em um clube de rúgbi quando as bombas foram detonadas. O Al-Shabab, um grupo islâmico da Somália ligado à rede extremista Al-Qaeda, assumiu hoje a autoria do ataque.

O atentado seria uma resposta à participação de tropas de Uganda na missão de paz da União Africana na Somália. “Avisamos eles (ugandenses) a não enviar tropas para a Somália. Mas nos ignoraram”, disse em comunicado o xeque Ali Mohamud Rage, porta-voz do Al-Shabab. “Essa foi uma pequena mensagem. Vamos atacá-los em todos os lugares, caso Uganda não se retire de nossa terra.”

Treinado por jihadistas veteranos do Iraque e Afeganistão, o grupo somali prometeu ações contra outros países que integram a missão da União Africana (UA). Segundo analistas, Burundi, Quênia, Etiópia e Djibuti seriam alvos potenciais. Combates entre a força de paz internacional, estacionada na região de Mogadiscio, e rebeldes somalis são frequentes e o número de civis mortos tem aumentado.

Apesar dos ataques e ameaças, o governo de Uganda – país majoritariamente católico – promete manter sua presença na Somália para combater os radicais muçulmanos. “Al-Shabab é a razão pela qual devemos permanecer na Somália. Vamos pacificar o país”, disse hoje o coronel Felix Kulaigye, porta-voz das Forças Armadas de Kampala.

Estados Unidos

A Casa Branca informou que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, conversou por telefone nesta segunda-feira com seu colega ugandense, Yoweri Museveni. O governo americano enviou dois agentes do FBI, funcionários da embaixada norte-americana no Quênia, para investigar as circunstâncias da morte da norte-americana Emily Kerstetter, de 14 anos, que estava no restaurante na hora das explosões. A jovem trabalhava voluntariamente para uma igreja em Kampala.