Num dia de calor, uma importadora de pneus usados encontrou uma colônia de Aedes aegypti, o mosquito responsável pela transmissão da febre amarela e da dengue. O fato não ocorreu no Brasil nem em um país africano – e sim na Holanda, na Europa. A descoberta, que mobilizou no início do mês autoridades de vários países, aumentou os temores de que, 50 anos depois de erradicadas, doenças tidas como tropicais voltem a assustar a Europa.

O mosquito chegou a ser endêmico na Europa e responsável por grandes epidemias de febre amarela em séculos passados. Mas conseguiu ser controlado e erradicado após a 2ª Guerra. Depois que a importadora comunicou o caso às autoridades holandesas, vários outros depósitos de pneus na região de Brabant também registraram a presença do inseto.

Alarmado, o Ministério da Saúde da Holanda pediu ajuda a especialistas franceses, que viajaram para cooperar no esforço de erradicar os mosquitos. No entanto, nenhuma das colônias encontradas estava contaminada pela dengue ou febre amarela. Mesmo assim, o ministro da Saúde holandês, Ab Klink, lançou uma campanha de informação da população, pedindo para não deixar água parada e evitar jogar pneus em terrenos baldios.

O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), em seu relatório de 2007, havia indicado que uma das consequências da elevação das temperaturas no planeta seria a chegada de mosquitos a regiões onde eles já tinham sido eliminados. Outra constatação é a de que os avanços nos transportes e o maior fluxo de comércio também poderiam facilitar a viagem de mosquitos de uma região a outra.