O setor de petróleo da China pode enfrentar novos desafios após a eleição de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, com alguns na indústria alertando que uma linha mais dura dos norte-americanos em relação à China poderia frustrar potenciais investimentos nos EUA.

Gigantes estatais como a PetroChina e a China Petroleum & Chemical há tempo veem os Estados Unidos como uma joia em suas ambições globais de negócios por conta das enormes reservas de petróleo e gás e do clima regulatório e político estável.

Agora, a eleição de Trump coloca incerteza, na medida em que especialistas veem contradição inerente entre a promessa de Trump de promover a perfuração de campos de petróleo e sua campanha adotar uma retórica crítica à globalização.

“Ninguém sabe o que ele vai fazer”, disse uma pessoa com laços junto a altos executivos do setor petroleiro na China e que tem promovido a ideia de mais investimento chinês em energia nos Estados Unidos.

Um advogado que trabalha com clientes do setor na China e outros países da Ásia afirmou que começou a receber consultas depois que Trump foi declarado vencedor. “Tem sido um fluxo constante de questionamentos sobre o que isso significa”, disse David Wochner, que lidera a área de políticas regulatórias no escritório de advocacia K&L Gates.

Por um lado, Trump e seu time poderiam se convencer do valor para a economia norte-americana de um aumento nas exportações. Como candidato, porém, Trump defendeu a imposição de uma tarifa de 45% às importações chinesas, o que provavelmente motivaria uma retaliação por parte do governo chinês.

Atualmente, Wochner aconselha as companhias de energia chinesas a se engajarem junto à nova administração logo cedo para formar um melhor consenso de como a regulação deve mudar. Analistas políticos afirmam que a incerteza vai estimular muita preocupação em Pequim

A vitória de Trump provavelmente “aumenta o nível de risco político associado com investir nos Estados Unidos, aos olhos de muitos executivos de energia chineses”, disse Erica Downs, especialista em energia na China da consultoria Eurasia Group. “Isso vai ser uma decepção por causa das boas oportunidades de investimento”, concluiu. Fonte: Dow Jones Newswires.