O Irã rejeitou nesta segunda-feira (2) as preocupações dos Estados Unidos a respeito da quantidade de material físsil que o país produziu, afirmando que não planeja desenvolver uma bomba nuclear e que qualquer esforço para converter o material em armamentos seria difícil sob a supervisão de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). A declaração foi feita um dia depois de o chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, almirante Mike Mullen, ter dito na televisão que os Irã tem material físsil suficiente para uma arma nuclear e que haverá consequências terríveis se Teerã mantiver os planos de construir uma bomba.

A AIEA informou que o Irã processou 1.010 quilos de urânio de baixo teor de enriquecimento. Mas o relatório não deixou claro se o país tem agora capacidade de enriquecer o material para o nível mais alto de enriquecimento, necessário para fabricar uma ogiva nuclear. O porta-voz do Ministério do Exterior iraniano, Hasan Qashqavi, disse em Teerã que “nós dissemos diversas vezes que uma arma nuclear não tem lugar na doutrina de defesa do Irã”.

Qashqavi não fez comentários específicos sobre a quantidade de material físsil que o Irã produziu. Porém, ele indicou que mesmo se o país quisesse produzir armas de urânio enriquecido, isso seria difícil, já que os locais de enriquecimento do material são monitoradas pela AIEA. “Como é possível que o urânio enriquecido entre 3% e 4% seja enriquecido até 90% enquanto a AIEA está monitorando?”

 

O Irã afirma que seu programa nuclear tem como único objetivo criar eletricidade e que tem produzido urânio com enriquecimento abaixo dos 5%, de acordo com as necessidades de abastecimento de reatores modernos. Armamento nuclear usa urânio enriquecido a cerca de 90%. Os EUA e muitos de seus aliados suspeitam que o real objetivo do Irã é desenvolver um programa que permita a produção de armas nucleares e temem que o país tome medidas para processar seu urânio enriquecido. Inspetores internacionais não disseram que o Irã tomou esse tipo de medida.

Compromissos diplomáticos

O secretário de Defesa norte-americano, Robert Gates, que também participou ontem de um programa de TV, não foi tão longe quanto Mullen e disse que os iranianos não estão perto do desenvolvimento de armas nucleares, deixando tempo para esforços diplomáticos. Gates participou do programa “Meet the Press”, da NBC, e Mullen foi entrevistado no “Fox News Sunday”.

 

O presidente norte-americano, Barack Obama, ofereceu compromissos diplomáticos com o Irã numa tentativa de provar a Teerã que tem mais a perder ignorando os pedidos dos países preocupados com seu programa de enriquecimento de urânio do que tem a ganhar com seus esforços nucleares. A Organização das Nações Unidas (ONU) já aprovou três vezes sanções contra o Irã porque o país não suspendeu seu programa de enriquecimento de urânio.