Os negociadores do Iraque e dos Estados Unidos finalizaram o trabalho para um rascunho do acordo de segurança que prevê a retirada de todas as tropas americanas das cidades iraquianas até 30 de junho de 2011, e de todos os militares dos EUA do resto do país até o final de 2011, informou nesta quarta-feira (20) um funcionário iraquiano. Mas o acordo terá que ser aprovado por ambos os governos, e existe oposição a algumas cláusulas no gabinete do governo do Iraque.

O funcionário, envolvido nas negociações, disse que foi alcançado um compromisso sobre a polêmica questão da imunidade aos soldados americanos, que não poderão ser julgados sob as leis iraquianas, mas não deu mais detalhes. Ele falou sob anonimato, porque as informações ainda não são oficiais. Embora funcionários iraquianos tenham assinado o documento, outro funcionário próximo ao premiê do Iraque, Nouri al-Maliki, disse que a liderança política do país tem objeções a partes do texto, principalmente à questão da imunidade. “Existem pontos de vista diferentes”, disse o funcionário. “Nós deixamos os nossos claros. A outra parte também manifestou os seus.

O conselheiro de assuntos públicos na Embaixada dos Estados Unidos, Adam Ereli, disse apenas que as discussões continuam e que o acordo é um “trabalho em progresso”. O acordo governará o status de mais de 140 mil militares americanos, após o mandato da Organização das Nações Unidas (ONU) expirar no final deste ano. O mandato legitima a missão militar americana no Iraque. O gabinete do governo iraquiano precisa assinar o acordo antes de submetê-lo ao Parlamento para aprovação final.

O governo iraquiano, liderado pelos xiitas, tem pressionado os americanos a concordarem com um prazo para a retirada total. O governo argumenta que isso permitirá que o acordo seja aprovado pelo Parlamento. A manobra de submeter o pacto ao Parlamento partiu do mais poderoso clérigo xiita do Iraque, o Grão Aiatolá Ali al-Sistani. Ele disse que qualquer fórmula que permita a ocupação americana do país, mesmo temporária, precisa ter algum apoio político.