Uma onda de atentados varreu o Iraque na manhã desta terça-feira, provocando a morte de pelo menos 65 pessoas na véspera do 10º aniversário da invasão do país árabe por exércitos estrangeiros liderados pelos Estados Unidos sob o pretexto de buscar armas de destruição em massa que nunca foram encontradas.

Trata-se do dia mais violento no Iraque desde 9 de setembro do ano passado, quando insurgentes deflagraram uma série de atentados que deixou 92 mortos. A onda de violência expõe ainda como o Iraque continua instável e vulnerável mais de um ano depois da retirada das tropas de combate dos EUA.

Embora os ataques tenham diminuído consideravelmente desde o pico da insurgência, ocorrido entre 2006 e 2007, as tensões continuam elevadas e os militantes permanecem como uma ameaça às forças de segurança iraquianas.

Os ataques desta terça-feira foram em sua maioria realizados com carros-bomba e tiveram como alvo áreas majoritariamente xiitas, pequenos restaurantes, trabalhadores e pontos de ônibus na capital iraquiana e cidades próximas num intervalo de mais de duas horas.

Mais de 200 pessoas ficaram feridas nos ataques, segundo informações das autoridades.

Os ataques acontecem dez anos após o dia em que o então presidente dos EUA, George W. Bush, anunciou o início da invasão, em 19 de março de 2003 – embora já fosse madrugada do dia seguinte no Iraque.

A invasão do Iraque não demorou a derrubar o regime ditatorial de Saddam Hussein, mas levou a anos de derramamento de sangue, com milícias xiitas e sunitas combatendo as forças norte-americanas e de outros países da coalizão militar estrangeira e também lutando entre si.

Uma década depois da invasão, a estabilidade e a democracia das quais os iraquianos supostamente se beneficiariam com a queda de Saddam estão mais do que abertas a questionamentos.

A guerra deixou mais de 100 mil iraquianos mortos, além de 4,5 mil soldados dos EUA, e as armas de destruição em massa usadas como pretexto por Bush e o então primeiro-ministro britânico Tony Blair para a invasão do Iraque nunca vieram a ser encontradas.

Também nesta terça-feira, o gabinete iraquiano decidiu adiar, por seis meses, as eleições provinciais em duas províncias dominadas pela minoria sunita. A decisão foi tomada após pedidos de blocos políticos das províncias, segundo o porta-voz do primeiro-ministro, Ali al-Moussawi.

As duas províncias afetadas, Âmbar e Nínive, têm sido o centro dos protestos – que já duram quase três meses – contra o governo xiita. As eleições provinciais estavam marcadas para 20 de abril. As informações são da Associated Press.