Os iraquianos que estão no exterior começaram a votar hoje nas eleições parlamentares do país. Centenas de pessoas formaram filas para votar na Síria, onde vive a maior comunidade de expatriados iraquianos. Também havia movimentação na vizinha Jordânia e em mais de dez outros países pelo mundo, entre eles Estados Unidos e Austrália. Será a segunda disputa pelo Legislativo iraquiano desde 2003, quando a invasão liderada pelos norte-americanos derrubou o ditador Saddam Hussein.

A minoria árabe sunita é particularmente interessada no voto no exterior, especialmente na vizinha Síria e na Jordânia, onde há muitos sunitas iraquianos. Eles esperam um grande comparecimento de sua comunidade para contrabalançar o aguardado bom número de membros da maioria xiita, que devem votar em seus próprios partidos religiosos.

O tema do voto no exterior quase impediu a realização das eleições, quando o vice-presidente Tarek al-Hashemi, um sunita, vetou uma versão anterior da lei eleitoral por considerar que ela não tratava igualmente os eleitores do exterior. O assunto foi resolvido, mas mostrou o quanto era importante para os sunitas o voto em outros países.

O voto no exterior ocorre durante três dias, enquanto no Iraque a maioria vota no domingo. Eles escolherão os 325 membros do Parlamento. O maior bloco no Legislativo tentará formar um governo para liderar o Iraque durante os quatro anos cruciais em que as tropas norte-americanas devem deixar o país, segundo um cronograma já estabelecido.

Estão sendo recolhidos votos para as eleições iraquianas em Síria, EUA, Canadá, Austrália, Áustria, Suécia, Alemanha, Grã-Bretanha, Dinamarca, Holanda, Irã, Emirados Árabes, Egito, Jordânia, Líbano e Turquia. A Agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Refugiados (Acnur) estima que cerca de 2 milhões de iraquianos vivam no Brasil. A maioria fugiu da violência desde a invasão de 2003.