Retroescavadeiras israelenses destruíram hoje seis imóveis, dentre eles pelo menos três residenciais, em Jerusalém Oriental, retomando a demolição de propriedades palestinas após uma interrupção dessas ações com o objetivo de encorajar as negociações de paz.

A demolição de residências em Jerusalém é uma questão delicada, pois tanto israelenses quanto palestinos reivindicam a região leste da cidade. Israel vê o setor como parte de sua capital, enquanto os palestinos o querem como a capital de um futuro Estado independente.

Basem Isawi, um empreiteiro desempregado de 48 anos de idade, estava perplexo em meio aos escombros de sua casa não concluída, impedindo seus seis filhos de saírem de uma casa nas proximidades, onde vivem atualmente, para ver o que aconteceu.

Isawi contou que construiu a casa ilegalmente, com cerca de US$ 25 mil, por considerar que a prefeitura lhe negaria o alvará para a obra. Ele disse que foi notificado sobre a demolição, mas não sabia quando ela ocorreria. A polícia informou que as demolições foram realizadas sem incidentes. Desde outubro nenhuma casa era demolida no setor oriental de Jerusalém.

Paz

Saeb Erekat, auxiliar do presidente palestino Mahmoud Abbas, criticou as demolições. “Este governo israelense teve a escolha entre os assentamentos e a paz e é óbvio que escolheu os assentamentos”, disse.

O gabinete do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, não comentou a questão hoje. Em Washington, um porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos manifestou “preocupação” com as demolições e declarou a contrariedade norte-americana a ações unilaterais.

Cerca de um terço dos 750 mil moradores de Jerusalém é palestina. Eles têm status de moradores de Jerusalém e recebem benefícios sociais de Israel, mas não têm cidadania israelense. No geral, eles boicotam as eleições municipais como forma de não reconhecer a administração de Israel em Jerusalém Oriental.