O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse hoje que as restrições à construção de assentamentos judeus no território palestino ocupado da Cisjordânia serão removidas com o fim da moratória adotada pelo próprio governo israelense, em 26 de setembro.

Ele ignorou o apelo feito ontem pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para que a moratória seja mantida, mas ressaltou que haverá limites para novas construções.

“Os palestinos exigem que depois de 26 de setembro haja zero construções. Isso não vai ocorrer. Israel não vai construir dezenas de milhares de unidades de moradia que estão planejadas, mas não vai congelar as vidas dos residentes”, disse Netanyahu ao ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, atual “enviado especial” do quarteto formado pela Organização das Nações Unidas (ONU), pelos EUA, pelo Reino Unido e pela União Europeia.

A suspensão da construção de assentamentos exclusivamente para judeus em territórios palestinos é uma exigência do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, para a retomada das conversações de paz com Israel.

Netanyahu declarou a moratória sobre novas construções há dez meses, para atrair a ANP de volta à mesa de negociações, mas permitiu que continuassem as obras já iniciadas de dezenas de milhares de residências.

A moratória não se aplica à parte leste de Jerusalém, local reivindicado pelos palestinos para ser a sede da capital de seus futuro Estado. Pela lei internacional – na forma de várias resoluções da ONU -, deveriam valer as fronteiras vigentes até a Guerra dos Seis Dias, de 1967, e toda a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e Jerusalém Leste não pertencem a Israel.

“Nossa posição é muito clara: caso a construção e a expansão dos assentamentos continuem, nós estamos fora”, afirmou o porta-voz da ANP, Husam Zomlot. Netanyahu disse a Blair que “não é lógico para os palestinos estabelecer precondições e ameaçar abandonar as conversações”.

O primeiro-ministro israelense deve se reunir na próxima terça-feira em Sharm el-Sheikh, no Egito, com o presidente da ANP, Mahmoud Abbas, para a primeira rodada de negociações de paz marcada após um encontro mediado por Obama há duas semanas, em Washington. A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, e o enviado especial de Obama para o Oriente Médio, George Mitchell, também devem participar.