Autoridades de Israel instalaram neste domingo, 23, novas câmeras de segurança no Monte do Templo, em Jerusalém, uma medida considerada alternativa aos detectores de metais que não conseguiram impedir recentes ataques com armas no local. A medida foi tomada em meio ao aumento da tensão com a Palestina, que provocou a reação de lideranças internacionais.

Israelenses argumentam que o monitoramento por câmeras já é usado pelo mundo em diversos lugares turísticos. Porém, entidades muçulmanas denunciam que esta é mais uma medida para controle de suas atividades.

Na semana passada, um homem árabe abriu fogo contra o Monte do Templo, matando dois guardas. Na sexta-feira, três palestinos foram mortos em confrontos nas ruas e outro muçulmano matou três membros de uma família israelense.

O chefe da divisão do Exército israelense para assuntos da Palestina, general Yoav Mordechai, disse que Israel está aberto a alternativas para diminuir as tensões.

“A única coisa que queremos é garantir que a entrada de nenhuma outra arma em um local turístico e evitar outro ataque”, afirmou o general, ao defender as novas câmeras de segurança.

No entanto, o mais importante clérigo islâmico de Jerusalém, Mohammed Hussein, disse à agência Voz da Palestina que ele exige o retorno completo dos procedimentos anteriores do ataque ao local, que os muçulmanos chamam de Nobre Santuário.

As instituições islâmicas de Jerusalém divulgaram um documento conjunto neste domingo afirmando que “rejeitam categoricamente a adoção de câmeras, portões eletrônicos e todas as medidas de ocupação”.

Por causa da instalação dos equipamentos, o líder palestino Mahmoud Abbas suspendeu todo o contato com Israel na sexta-feira, 21. O ministro da Defesa israelense defendeu o novo plano e disse que os palestinos podem sofrer com a falta de segurança.

O aumento da tensão entre judeus e palestinos é alvo de atenção internacional. O papa Francisco pediu em homilia neste domingo em Roma que os envolvidos no conflito em Jerusalém ajam com “moderação e diálogo”.

Já o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, condenou o que chamou de “humilhação contra todos os muçulmanos do mundo” que forem visitar o Nobre Santuário.

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) irá se reunir na segunda-feira, 24, para discutir o assunto. Fonte: Associated Press.