A polícia de Israel deteve para interrogatório nesta quarta-feira a principal autoridade religiosa islâmica da Terra Santa. O mufti de Jerusalém foi interrogado por diversas horas antes de ser liberado, em um caso raro de ação policial contra uma autoridade religiosa em Israel.

A detenção foi duramente criticada por líderes palestinos, levou a vizinha Jordânia a convocar o embaixador de Israel em Amã para uma reprimenda e tem potencial para complicar os esforços do secretário de Estado dos EUA, John Kerry, para retomar o paralisado processo de paz entre israelenses e palestinos.

O porta-voz da polícia de Israel, Micky Rosenfeld, disse que o mufti Mohammed Hussein foi interrogado durante seis horas por causa de “distúrbios ocorridos recentemente” na Cidade Velha de Jerusalém, um lugar sagrado para judeus e muçulmanos. Segundo ele, houve “incitação, distúrbios e desordem pública”.

Hussein, considerado um moderado, foi solto sem acusações pendentes, disse Rosenfeld.

O porta-voz não entrou em detalhes sobre o interrogatório, mas uma fonte israelense disse que o religioso foi “advertido” a atenuar a tensão um dia depois de fiéis muçulmanos terem atirado pedras e cadeiras em turistas que visitavam o local, chamado de Esplanada das Mesquitas pelos islâmicos e de Monte do Templo pelos judeus.

O mufti, que ocupa a posição desde 2006, não se pronunciou sobre o assunto.

A última vez que algo similar aconteceu foi em 2002, no auge da segunda intifada palestina contra Israel, quando o mufti de Jerusalém na época, Ekrima Sabri, foi preso sob suspeita de incitar ataques suicidas. As informações são da Associated Press.