O primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ordenou neste domingo que o Ministério de Relações Exteriores do país suspenda as relações diplomáticas com órgãos da União Europeia envolvidos nas discussões do processo de paz com a Palestina. A medida foi tomada em reação à decisão do bloco, anunciada no dia 11 de novembro, de rotular as exportações do país provenientes de territórios ocupados, dentre os quais a Cisjordânia.

Netanyahu afirmou que o ministério fará uma reavaliação do envolvimento de instituições do bloco em “tudo o que estiver relacionado a processos diplomáticos”. “Até que a reavaliação seja concluída, a ordem é de suspensão das relações diplomáticas com a União Europeia e seus representantes para este tema (da diplomacia)”, afirmou. Um oficial da União Europeia que não quis ser identificado disse apenas que o grupo ainda está avaliando o efeito do anúncio.

No início deste mês, a União Europeia estabeleceu diretrizes para a rotulagem de produtos produzidos em assentamentos israelenses na Cisjordânia. Uma delas é a de que estes bens deveriam ser rotulados de forma especial, sem a informação de que foram fabricados em Israel.

O país reagiu, qualificando a medida como discriminatória. Já a UE justificou a decisão afirmando que se trata de uma questão técnica, com a proposta de esclarecer a origem dos produtos. Na ocasião, Netanyahu alertou que a rotulagem dos produtos israelenses pelo bloco poderia levar a questionamentos futuros, por parte de Israel, sobre o papel da União Europeia em negociações de paz.

O anúncio feito por Israel ocorre em um momento conturbado entre israelenses e palestinos. Neste domingo, foram registrados dois ataques a faca promovidos por palestinos, ferindo uma mulher e um policial. Uma das pessoas que promoveu o ataque foi morta a tiros.

Ataques desta natureza vêm ocorrendo há cerca de dois meses, após tensões em um local sagrado em Jerusalém. Desde então, 19 israelenses e 97 palestinos já morreram, incluindo 62 apontados por israelenses como autores dos ataques.

A decisão da União Europeia tem sido avaliada por Israel como parte de um crescente movimento internacional de boicote ao país. Alguns representantes de Israel chegaram a acusar o bloco de antissemita.

A União Europeia, de sua parte, declarou ser contra boicotes e afirmou que a medida faz parte de uma política de proteção do consumidor europeu. Produtos provenientes de assentamentos judaicos, como azeite, cosméticos e vinhos, respondem por um porcentual pequeno das exportações de Israel para a Europa.

Israel ocupa territórios na Cisjordânia e no leste de Jerusalém desde 1967. A partir daquele ano, o país começou a construir assentamentos nestas localidades. Os palestinos reivindicam ambos os territórios como partes de um futuro Estado Palestino, posição que conta com o apoio da maior parte das nações do mundo. Fonte: Associated Press.