Os israelenses vão às urnas nesta terça-feira numa eleição que vai testar a capacidade de sobrevivência do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e sua aposta de que o medo dos adversários do país supere a preocupação da população com questões econômicas.

Netanyahu, líder do partido conservador Likud e antiga figura dominante na polícia israelense, encerrou sua campanha na segunda-feira com a promessa de não permitir o estabelecimento do Estado palestino. Ele busca um terceiro mandato consecutivo numa disputa inesperadamente apertada com Isaac Herzog, da União Sionista, de centro esquerda.

Nove dos 23 outros partidos que participam do pleito devem conquistar mais da metade dos 120 assentos do Parlamento. Seus líderes vão ajudar a determinar qual dos dois principais candidatos formará maioria e uma coalizão de governo. As negociações podem durar dias ou até mesmo semanas.

Seis milhões de israelenses estão aptos a votar. As sessões eleitorais fecharão às 22h (horário local, por volta de 17h em Brasília). Os principais meios de comunicação devem divulgar suas pesquisas de boca-de-urna logo em seguida.

Netanyahu foi considerado favorito durante a maior parte dos três meses de campanha, mas na semana passada as pesquisas mostraram que o partido de Herzog estava na frente do Likud, com várias cadeiras de vantagem. Analistas dizem que é impossível prever quem sairá vencedor.

Após votar nesta terça-feira, Netanyahu descartou a hipótese de formar uma coalizão com Herzog. Segundo ele, Herzog entregaria facilmente os territórios aos palestinos, que buscam a formação de seu Estado na Cisjordânia e Faixa de Gaza, tendo Jerusalém Oriental como capital. Esses territórios foram tomados por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967.

“Temos abordagens diferentes”, disse Netanyahu em entrevista ao Canal 10 da televisão israelense. “Eles (a União Sionista) querem uma retirada. Eu não quero sair. Se eu formar um governo, será um governo nacionalista.”

Já Herzog disse que retomará os esforços de paz com os palestinos, restaurará as relações com o governo de Barack Obama e reduzirá as diferenças entre israelenses ricos e pobres.

“Quem quer que queira seguir o caminho de desespero e desapontamento de Bibi votará nele”, disse Herzog após votar, referindo-se ao primeiro-ministro por seu apelido. “Mas quem quiser mudança, esperança e um futuro realmente melhor para Israel votará no campo sionista, liderado por mim.

Netanyahu, o político há mais tempo no cargo de primeiro-ministro desde o fundador do país David Ben-Gurion, apresentou-se durante a campanha como um baluarte contra as ameaças à segurança. Ele falou sobre os perigos representados pelo Estado Islâmico e pelo Irã. E foi a Paris para se unir a líderes europeus numa marcha de solidariedade pelas vítimas dos ataques terroristas de janeiro. Nos Estados Unidos, discursou no Congresso contra os termos de um acordo internacional para limitar o programa nuclear de Teerã.

O premiê enfatizou seu histórico na promoção da expansão dos assentamentos judaicos em terras reclamadas pelos palestinos para seu futuro Estado, um fator que prejudicou as negociações de paz com a liderança palestino no ano passado.

Herzog, advogado de fala mansa que atuou em governos anteriores como ministro da Habitação, Serviços Sociais e Turismo, oferece uma política externa mais conciliatória e critica a gestão econômica de Netanyahu. Ele salientou a desigualdade de renda, o crescente custo de vida e a falta de habitação acessível para a classe média. Fonte: Dow Jones Newswires.