A Itália pediu que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) investigue os relatos de que um navio da aliança não resgatou um barco parado na costa da Líbia por quase uma semana e que a fala de comida e água pode ter provocado a morte de vários imigrantes que estavam a bordo.

O ministro de Relações Exteriores Franco Frattini fez a requisição para uma investigação formal nesta sexta-feira e disse que também instruiu o embaixador da Itália na Otan a pedir à aliança que considere os cuidados com os líbios em fuga pelo mar como parte da resolução da Organização das Nações Unidas, que permite a ação militar para proteger civis na Líbia.

A Otan lançou campanha aérea de bombardeios ataques aéreos com o objetivo de proteger civis de ataques do governo de Muamar Kadafi com base nessa resolução. Cerca de 24 mil imigrantes chegaram à Itália por mar desde o início da campanha da Otan, iniciada em março.

Na quinta-feira, a guarda costeira resgatou centenas de pessoas aglomeradas a bordo de um barco que parou entre a Líbia e a ilha italiana de Lampedusa. Relatos não confirmados de passageiros indicam que cem pessoas podem ter morrido, mas seus corpos foram jogados ao mar. Informações de meios de comunicação italianos dizem que dentre os mortos havia mulheres e crianças.

Os relatos dizem que o barco enviou um pedido de SOS para um navio da Otan que estava próximo, mas não recebeu nem ajuda nem resposta durante os seis dias em que ficou parado. O comando da aliança em Nápoles disse que analisa os relatos mas não podia comentar o assunto.

Segundo o médico Marco Testa, do Médicos sem Fronteira, disse que “a maioria dessas pessoas estava desidratada ou sofrendo de hipotermia”. Um comunicado da organização diz que Testa deu atendimento médico no porto onde os imigrantes chegaram e que alguns, ainda em estado de choque, disseram aos funcionários do Médicos sem Fronteiras que viram “dezenas de pessoas morrendo por causa das más condições”.

Também nesta sexta-feira, a polícia da Sicília deteve seis traficantes de pessoas suspeitos pelas mortes de 25 imigrantes africanos a bordo de outro barco lotado que partira da Líbia na tentativa de chegar à Itália. Os homens foram identificados como cidadãos da Somália, Marrocos e Síria.

As autoridades disseram que eles operavam o barco que foi interceptado na segunda-feira pela guarda costeira na costa da ilha de Lampedusa. A guarda costeira disse que o barco de 15 metros levava 296 pessoas, muitas na sala de máquinas. As informações são da Associated Press.