A italiana Fiammetta Cappellini, representante no Haiti da organização humanitária Avsi, se abrigou na Embaixada do Brasil para sobreviver ao tremor de terra de 7 graus na escala Richter que atingiu o país caribenho na tarde de ontem.

“O primeiro tremor foi fortíssimo, com certeza durou mais de um minuto. Assim que foi possível, deixamos os locais onde estávamos”, contou à ANSA a italiana, ressaltando que o panorama na capital Porto Príncipe “é devastador”.

“Os mais importantes edifícios desapareceram. Danos enormes se verificam por toda parte. Pelo que vi, os mortos podem ser contados aos milhares. Prédios de diversos andares vieram completamente ao chão”, relatou Cappellini em conversa por Skype.

A representante da organização humanitária enfatizou ainda que “é possível ouvir dos escombros os gritos de ajuda de quem ficou soterrado, e seus parentes estão impacientes, desesperados”.

Cappellini disse ainda que um complexo penitenciário e uma unidade de detenção de menores desabaram com o terremoto, cujo epicentro foi registrado a 15 quilômetros da capital. Ainda não há informações oficiais sobre número de mortos, feridos e desabrigados.

Outro problema enfrentado nessas primeiras horas após o abalo sísmico é falta de eletricidade. “A conexões foram interrompidas, falta energia, tudo está desligado. Os geradores são coisa rara”, relata a italiana.

“As estradas se revelaram uma armadilha. Eu fiquei presa [no carro] por horas”, disse ainda Cappellini, explicando que muitas pessoas “tomadas por crises de pânico” vagam pelas ruas de Porto Príncipe em busca de ajuda.

Enquanto isso, o acesso aos hospitais que ainda estão em funcionamento é “inviável”, devido sobretudo ao estado de degradação das vias.

Por sua vez, o jornalista haitiano Carel Pedre informou, em conversa com a ANSA, que “os corpos [das vítimas] ainda estão pelo chão”. Segundo ele, até agora não há “agentes ou militares empenhados no socorro”.