O Ministério da Saúde do Japão disse ter constatado níveis elevados de radiação em espinafre e leite produzidos em fazendas situadas na região de Fukushima, onde fica a usina nuclear Daiichi, atingida pelo terremoto e pelo tsunami do dia 11. Segundo o ministério, também foram encontrados traços de iodo radiativo na água de torneira em Tóquio e em outras cidades.

O ministério ressalvou que os níveis de radiação constatados não são suficientes para apresentar riscos à saúde. O iodo radiativo encontrado na água potável em Fukushima na quinta-feira estava em níveis superiores aos considerados seguros, mas, segundo o ministério, testes posteriores mostraram que esses níveis baixaram.

Segundo a distribuidora de energia elétrica Tokyo Electric Power Co. (Tepco), seis trabalhadores da equipe que tenta controlar o superaquecimento nos reatores da usina nuclear Daiichi foram expostos a mais de 100 milisieverts (unidade usada para indicar danos biológicos causados pela radiação), o limite japonês para exposição no caso de pessoas envolvidas em trabalhos de emergência desse tipo. Na última terça-feira, quando o problema na usina Daiichi estava se agravando, o governo elevou esse limite para 250 milisieverts, mas o governo insiste que mesmo esse nível é seguro para a saúde.

O secretário-chefe do gabinete de governo, Yukio Edano, disse que os alimentos contaminados com radiação “não trazem riscos imediatos à saúde”. O radiologista norte-americano Henry Duval Royal, da Escola de Medicina da Universidade de Washington, disse concordar com essa avaliação e afirmou que “o mais perturbador é o medo, que é desproporcional ao risco”.

De acordo com o Ministério da Saúde do Japão, o leite contaminado foi coletado a 30 km de Fukushima e o espinafre em seis fazendas com distâncias de 100 km a 120 km da usina onde o vazamento de radiação está acontecendo. Nessa região também são produzidos arroz, melões e pêssegos. Edano disse que testes estão sendo feitos em outros alimentos e, caso seja constatada mais contaminação, os embarques de alimentos dessa região serão suspensos.

Outro funcionário disse que os níveis de iodo radiativo no espinafre eram de três a sete vezes maiores do que os limites de segurança. Os testes feitos no leite, por sua vez, revelaram presença de iodo-131 e de césio-137. Níveis elevados de iodo podem provocar câncer na tireoide e o césio pode afetar todo o organismo.

Tentando reduzir o nervosismo do público, Edano disse que uma pessoa que passasse um ano bebendo o leite contaminado absorveria radiação equivalente à de uma sessão de tomografia computadorizada.

Estabilização

A Agência de Segurança Nuclear e Industrial do Japão disse que a crise na usina de Daiichi parece estar se estabilizando. “Não esperamos ver nada pior do que estamos vendo agora”, disse o porta-voz Hidehiko Nishiyama. Pelo menos 7,6 mil pessoas morreram e milhares seguem desaparecidas depois do terremoto de magnitude 9,0 e do tsunami que atingiram a costa nordeste do Japão no dia 11.

As equipes de emergência conseguiram estender uma nova linha de energia elétrica para a usina Daiichi, mas até ontem ainda não haviam conseguido conectar essa linha aos equipamentos que estão sendo usados na tentativa de resfriar os reatores nucleares. A expectativa é de que os equipamentos possam ser ligados amanhã.

A Tepco também informou que trabalhadores continuam usando um canhão para bombear água do mar para o reator número 3. As equipes também abriram buracos nos telhados dos reatores 5 e 6, para impedir a concentração de gás hidrogênio, que pode causar explosões. Segundo a Tepco, a temperatura no tanque de armazenagem de varetas de urânio do reator nº 5 começou a baixar, depois de dias de bombeamento de água. As informações são da Associated Press.