Um veterano pacifista conhecido por sua visão assumidamente socialista ganhou de forma esmagadora a liderança do Partido Trabalhista da Grã-Bretanha – um resultado que encantou torcedores e consternou aqueles que nunca imaginaram que ele poderia ser eleito.

O apoio esmagador ao deputado de extrema-esquerda Jeremy Corbyn, de 66 anos, foi um dos maiores abalos da política britânica em décadas.

Sua vitória neste sábado marca uma curva acentuada à esquerda para seu partido – e vai desafiar significativamente o tom da política britânica, que agora é dominado por conservadores ligados ao primeiro-ministro David Cameron.

“É certamente a mais alta posição na política britânica para um socialista ostensivo desde a década de 1980”, disse Martin Wright, professor de história e política na Universidade de Cardiff. “É um terremoto absoluto. Isto move os quadros de referência para a esquerda e abre uma alternativa.”

Considerado um excêntrico e uma possibilidade remota apenas alguns meses atrás, Corbyn ganhou muitos aliados com argumentos apaixonados para nacionalizar a indústria, aumentar a tributação de corporações e dos ricos e pregar o fim da austeridade.

Os defensores dizem que Corbyn é uma voz refrescante em um partido que vem se movendo em direção ao centro nos últimos anos.

Sob os dois últimos líderes trabalhistas no poder, Tony Blair e Gordon Brown, os trabalhistas lançaram mão de seu compromisso com a nacionalização da indústria e cortejaram setores conservadores.

A rejeição contundente de Corbyn a essa estratégia atraiu dezenas de entusiastas e simpatizantes jovens, transformando-o em uma celebridade na vida política britânica.

Muitos líderes no partido advertem, no entanto, que as ideias socialistas de Corbyn vão alienar eleitores moderados e tornarão os candidatos trabalhistas inelegíveis – condenando o partido à oposição por ainda mais anos.

Tony Blair, que liderou os trabalhistas em três vitórias eleitorais consecutivas, disse recentemente que seu partido enfrentou a “aniquilação” sob a liderança de Corbyn.

Apesar do desânimo dos caciques partidários, gritos de aplausos irromperam na sala de conferências do partido no sábado quando foi anunciado que Corbyn obteve quase 60% dos votos para a liderança. O seu rival mais próximo, Andy Burnham, teve apenas 19% dos votos. Mais de 400 mil votos foram contabilizados.

Em seu discurso de aceitação da liderança, Corbyn prometeu fazer uma Grã-Bretanha mais compassiva e disse que vai enfrentar os “níveis grotescos de desigualdade” do país.

“Os conservadores têm usado a crise econômica de 2008 para impor um grande fardo para as pessoas mais pobres deste país. A pobreza não é inevitável, as coisas podem – e vão – mudar”, afirmou. Fonte: Associated Press.