O Kuwait substituirá a Síria como candidato ao Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), disseram hoje diplomatas ocidentais. O recuo sírio pode ser visto como uma vitória de grupos pelos direitos humanos, contrários à repressão encabeçada pelo presidente Bashar al-Assad a manifestantes pacíficos.

Há uma intensa campanha nos bastidores para se evitar que a Síria seja eleita para o conselho, após as tentativas do governo de reprimir um levante de sete semanas contra o regime de 40 anos da família Assad. Um diplomata ocidental, pedindo anonimato, afirmou que autoridades do Kuwait disseram a diplomatas do país que eles irão substituir a Síria como candidato na eleição secreta, que acontece no próximo dia 20. Inicialmente o Kuwait seria candidato em 2013.

A Síria era uma das favoritas para o Conselho de Direitos Humanos, como um dos quatro nomes escolhidos para preencher as vagas destinadas à Ásia. Era considerada provável vitoriosa, a menos que outro candidato entrasse na disputa ou ela não conseguisse a maioria dos votos na Assembleia Geral, que tem 192 membros.

O Grupo da Ásia, de 53 membros, havia dado seu apoio em janeiro a quatro candidatos – Síria, Índia, Indonésia e Filipinas. Posteriormente, grupos pelos direitos humanos e alguns governos começaram uma campanha para manter a Síria fora do conselho. Essa campanha ganhou força após a repressão aos protestos por democracia no país. Segundo o grupo Organização Nacional pelos Direitos Humanos da Síria, mais de 750 pessoas já morreram na repressão.

O grupo humanitário UN Watch, sediado em Genebra, fazia campanha contra a Síria e comemorou a decisão. Ainda assim, lembrou que o Kuwait “é muito melhor do que a Síria, mas apesar disso outra (nação) não democrática”.

O Conselho de Direitos Humanos da ONU tem 47 membros. Criado em março de 2006 para substituir a desacreditada e politizada Comissão de Direitos Humanos, o conselho é alvo de críticas por não conseguir mudar muitas das práticas da comissão, como manter uma ênfase sobre Israel e eleger candidatos acusados de sérias violações aos direitos humanos.

Um importante problema no processo eleitoral é que os candidatos ao Conselho de Direitos Humanos, como em muitos órgãos da ONU, são selecionados por grupos regionais, onde há várias barganhas por cadeiras e apoio. As informações são da Associated Press.