Israel está sob uma pressão sem precedentes para levantar o bloqueio à Faixa de Gaza. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, chamou o bloqueio de “inerentemente insustentável”, enquanto o secretário de Relações Exteriores do Reino Unido, William Hague, disse que ele é “injustificável”.

O enviado para o Oriente Médio do quarteto formado pela Organização das Nações Unidas (ONU), pelos Estados Unidos, pela União Europeia e pela Rússia, Tony Blair, disse à Sky News que o bloqueio é contraproducente. “Nós precisamos chegar a uma posição definitiva que nos permita dizer muito claramente que Gaza está numa situação diferente porque o Hamas tomou o controle, mas apesar disso o povo de Gaza deveria ter acesso aos produtos que fazem parte de uma vida normal”, disse Blair.

O ministro de Relações Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, descartou o levantamento do bloqueio até que o Hamas faça concessões de acesso a Gilad Shalit, o soldado israelense sequestrado pelos palestinos há quase quatro anos. “Nós devemos dizer claramente que a condição mínima para levantar o bloqueio é que a Cruz Vermelha obtenha permissão para visitar regularmente Gilad Shalit”, disse.

Israel afirma que a justificativa para o bloqueio é a proteção da segurança do país e o enfraquecimento do Hamas. Mas críticos de Israel dizem que o bloqueio apenas ajuda seus inimigos. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, referiu-se recentemente ao bloqueio como “contraproducente, insustentável e errado”. “Ele pune civis inocentes. Ele deve ser levantado pelas autoridades israelenses imediatamente”, disse.

Alívio

Nesta semana, Israel aliviou o bloqueio ligeiramente, permitindo a entrada de biscoitos, batata frita e Coca-Cola. No entanto, Tony Blair disse que isso não é suficiente. “Ainda há uma grande quantidade de produtos ou demoram muito tempo para chegar ou não chegam de jeito nenhum”, afirmou.

Em Jerusalém, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu reuniu-se com Blair para tentar conquistar apoio para a manutenção do bloqueio. “O objetivo do encontro foi angariar apoio internacional para o princípio de que armas e materiais usados para a luta não vão entrar em Gaza para uso do Hamas”, disse o escritório de Netanyahu, em comunicado. A oposição internacional ao bloqueio aumentou após o ataque de Israel a uma flotilha com ajuda humanitária, que resultou na morte de nove ativistas turcos. As informações são da Dow Jones.