A líder da Frente Nacional da França, Marine Le Pen, está procurando transformar a eleição presidencial de maio em um referendo sobre a União Europeia (UE) ao detalhar uma estratégia para excluir o seu país do bloco, caso ela ganhe.

A última vez que ela se candidatou foi em 2012, com uma promessa inicial de acabar com o uso do euro na França, mas agora ele procura maior apoio de um eleitorado dividido no país. Ela disse que ordenaria uma saída organizada. Le Pen e outras autoridades de seu partido ainda afirmaram que o seu governo vai passar os seis meses negociando a criação de uma cesta de outras moedas paralelas europeias, junto com outros países insatisfeitos com o euro.

Segundo Le Pen, outros países com dificuldades de cumprir as regras europeias estariam dispostos a entrar nas negociações. Ela afirma que ameaça de ter de deixar o euro tem sido usada para chantagear a Grécia e outros países periféricos do bloco para implementar programas de austeridade que os cidadãos dessas nações rejeitam.

“O euro não tem sido usado como uma moeda, mas como uma arma: uma faca fincada nas costelas de um país para forçá-lo a ir onde as pessoas não querem ir”, disse Le Pen a repórteres no começo do mês. “Você acha que nós aceitamos viver sob esse tipo de ameaça, essa tutela? Está absolutamente fora de questão”.

Um movimento de saída da França da União Europeia (Frexit) poderia espalhar o caos pela união monetária e minar toda a UE de uma forma que o saída do Reino Unido (Brexit) não faria.

Nenhum país tentou deixar o euro e as pesquisas francesas mostram que embora as pessoas queiram que Bruxelas exerça menor poder sobre o país, a maioria não votaria pelo fim do euro no país.

As complicações de um eventual Frexit não eram claras para Le Pen em 2012, quando ela garantiu apenas 17,9% dos votos com seu esforço para repelir o euro. “Nós partimos da ideia de uma saída imediata em 2012 e fechamos a porta”, disse Jean-Richard Sulzer, conselheiro econômico de Le Pen. “As coisas foram ditas muito rapidamente, mas dessa vez Marine está muito mais prudente”.

A dinâmica da eleição presidencial francesa está evoluindo de maneira diferente dessa vez. As pesquisas mostram que Le Pen se qualificaria facilmente para um segundo turno e disputaria a decisão com um candidato pró-UE.

As mesmas pesquisas sugerem que ela enfrentaria François Fillon – um político de centro-direita que está focando sua candidatura em medidas de austeridade pedidas pela UE -, mas perderia para ele. Fonte: Dow Jones Newswires.