Membros da milícia xiita Exército Mehdi, do clérigo antiamericano Muqtada al-Sadr, negaram-se ontem a depor as armas como exigido pelo premiê iraquiano, Nouri al-Maliki. Na sexta (28), Maliki ultimou que os milicianos depusessem as armas até o dia 8, oferecendo dinheiro para aqueles que se rendessem. O desafio ao ultimato foi anunciado ontem por dois membros graduados do grupo.

"Sadr nos disse para não entregarmos as armas enquanto o Estado não se livrar do ocupante", afirmou à France Press Haidar al-Jabiri, responsável pelo grupo em Nayaf, referindo-se às forças da coalizão liderada pelos EUA no país árabe. À BBC, o principal representante de Sadr em Basra, Hareth al-Ethari afirmou que as armas só serão entregues a um governo iraquiano que deseje pôr fim à ocupação.

Jatos americanos intensificaram os bombardeios em Basra ontem, lançando duas bombas de precisão em duas supostas fortalezas em que pessoas atiravam contra as forças iraquianas", afirmou o porta-voz do Exército britânico, Tom Holloway. O porta-voz afirmou que ainda não era possível divulgar o número de mortos nos recentes confrontos.

O Exército americano participou pela primeira vez diretamente da ofensiva em Basra na sexta-feira, quando tropas iraquianas encontraram dificuldades para lutar contra a resistência dos milicianos. Os confrontos disseminaram combates retaliatórios em Bagdá e outras cidades xiitas do Iraque.

Maliki viajou a Basra no começo da semana, e disse ontem que não vai deixar a cidade enquanto a segurança não for recuperada. "Nós vamos continuar lutando contra essas gangues em cada polegada do Iraque. Essa é a nossa decisiva e última batalha", afirmou o primeiro-ministro do país árabe.

Basra é o principal porto e pólo petrolífero do Iraque. A região era controlada por militares britânicos até dezembro, quando a segurança foi transferida para os iraquianos. Por causa da violência, a Unicef, a Cruz Vermelha e outras organizações interromperam a ajuda humanitária na região. Segundo o Ministério da Saúde do Iraque, que é próximo do movimento miliciano,os conflitos em Cidade Sadr e outros bairros de Bagdá já deixaram pelo menos 75 mortos e outros 500 feridos.