O ministro de Energia da Venezuela, Rafael Ramírez, disse hoje que não havia forma de ignorar a manutenção da refinaria de Amuay, onde 42 pessoas morreram após uma explosão no último dia 25.

“Não há forma de ignorarmos a manutenção em instalações tão complexas como essa. Porque nós, além disso, estamos sujeitos a toda uma estrutura que nos nega a possibilidade absoluta de evitar a manutenção”, afirmou, em entrevista ao canal venezuelano Televen.

Como resposta às acusações de falta de manutenção, o ministro disse que a petroleira PDVSA investiu US$ 6 bilhões em manutenção das refinarias em cinco anos. De todos os recursos, ele afirma que US$ 4,32 bilhões foram investidos no centro de refino de Paraguaná, onde está Amuay.

Ele negou descartar qualquer hipótese para o acidente. “Nós não podemos descartar nenhuma hipótese. Estamos trabalhando conscientes que precisamos esclarecer bem a causa dessa situação”.

No entanto, criticou a circunstância revelada por vizinhos da fábrica, que afirmaram ter havido um vazamento de gás por vários dias seguidos. “Isso é uma mentira absoluta. Não é possível que isso aconteça com todos os mecanismos de detecção da refinaria”.

PDVSA

A explosão pôs sob escrutínio a empresa responsável pela maior parte dos programas sociais do governo Hugo Chávez, que tenta a reeleição no próximo dia 7 de outubro. A tragédia ocorreu na hora em que o país tenta estancar a queda de sua produção petrolífera.

As causas do acidente na refinaria de Amuay ainda estão sob investigação, mas causou controvérsia a informação de que nove das 12 paradas para manutenção da unidade, previstas para 2011, não ocorreram. O motivo foi “falta de material”.

“Ninguém discute que a PDVSA deve aumentar os aportes ao fisco, mas o pilar do modelo econômico chavista é que dê suporte a todas as ações do governo”, afirma Asdrúbal Oliveros, da consultoria venezuelana Ecoanalítica.

A estatal diz ter investido em 2011 9% do faturamento, ou US$ 9 bilhões (R$ 18 bilhões) – taxa baixa em relação às congêneres na América Latina. A Petrobras diz ter aplicado 29% do faturamento; a mexicana Pemex, 17%.

Enquanto isso, a empresa elevou os “aportes para o desenvolvimento” entre 2010 e 2011, de US$ 20 bilhões (R$ 40 bilhões) para US$ 39 bilhões (R$ 79 bilhões). Metade fluiu sob a rubrica “programas sociais”, pouco mais do dobro do orçamento anual do Bolsa Família em 2011.

O repasse não inclui impostos e taxas ao fisco. Os recursos foram aplicados diretamente pela PDVSA – cuja atuação vai desde atendimento de saúde à habitação – ou canalizados a fundos criados por Chávez e comandados pelo próprio presidente.